Faialenses pelo mundo: Luís Mesquita de Melo: um tigre açoriano na Indochina

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Um cidadão do mundo, nascido no Faial em 1964, que vive no Vietname e residiu em Macau durante largos anos. Na estreia da rubrica “Faialenses Pelo Mundo”
apresentamos Luís Mesquita de Melo.

Foi campeão nacional de salto em altura, em iniciados, campeão regional de salto
em altura e de basquetebol, guarda-redes do Atlético AC, em juniores, praticou hóquei em patins, fez vela e teve ainda experiência de palco com o grupo de teatro “TeHor”, dirigido pelo professor António Duarte. Os voos da vida
levaram-no à Faculdade de Direito de Lisboa com 18 anos e a partir daí as portas do mundo globalizado abriram-se de par em par.

À entrada de 2022 é o vice-presidente responsável pelos serviços jurídicos (General Counsel) da Lodgis Hospitality Holdings Pte. Ltd, empresa detida pelo Warburg Pincus. A empresa deste Fundo de Investimento americano, o maior investidor no Vietname na área da hospitalidade e do jogo, detêm 25 hotéis e resorts, bem como um casino – The Grand Ho Tram – espalhados pelo país onde reside, Tailândia e Camboja.

Desde março de 2020 tem em Ho Chi Minh, na história conhecida por Saigão,
residência permanente. Nos últimos anos as viagens entre Macau e a capital
financeira vietnamita tornaram-se regulares e a mudança acabou por chegar.
Mesquita de Melo, que a 4 de janeiro completou 58 anos, é casado, pai de uma filha que aos 18 anos conclui o Liceu (Inglaterra) e tem uma enteada que completou o curso de Gestão Hoteleira (Suíça) trabalha em Macau, no grupo Las Vegas Sands que Luís tão bem conhece.

Tribuna das Ilhas – Como tantos outros, parte do Faial para prosseguir estudos universitários. Já sabia à priori que seria uma viagem sem retorno, exceto em período de férias?
LMM – Tinha o pressentimento de que seria. Embora no meu caso os laços que sempre me prenderam aos Açores, em especial ao Faial, fizeram que regressasse sempre no verão, com a exceção de poucos anos em que não consegui voltar em férias por motivos profissionais.
Uma conversa séria com o meu pai no final do 9.º ano do Liceu ditou que a minha ideia inicial de ir para a marinha comercial fosse substituída pela intenção de entrar para a carreira diplomática. Foi essa a primeira razão de ir cursar Direito. Era ainda a ideia da viagem pelo mundo mas não num cargueiro da então já em declínio marinha portuguesa, a morrer aos poucos no mar da Palha.

TI – Em 1990 chega a Macau e começa logo como assessor da presidente da Assembleia Legislativa? Qual o primeiro impacto ao chegar ao território asiático?
LMM – Em 1990 tive um convite para ir dar aulas de Direito para Macau, para a recentemente criada Universidade da Ásia Oriental. Simultaneamente, alguns colegas e amigos nascidos durante o curso de Direito, estavam a trabalhar no Governo de Macau como assessores ou chefes de equipas de projeto. Recebi um convite para ingressar no Gabinete para a Modernização Legislativa (GML) cuja função era modernizar todo o sistema jurídico de Macau com vista à transferência da soberania de Portugal para a China, em 1999.
Comecei a trabalhar no GML e ao fim de dois anos fui convidado para Assessor da dra. Anabela Richie, recém-eleita Presidente da Assembleia Legislativa de Macau, com quem trabalhei os cinco anos seguintes.

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