Falando ainda sobre o Aeroporto

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O Aeroporto da Horta, uma vez aberto ao tráfego, não parou de crescer. E só não cresce mais, porque não lhe deixam. É uma peça-chave na mobilidade e economia do Triângulo e do grupo Ocidental. É essencial que o Aeroporto do Pico complemente o Aeroporto da Horta, e vice-versa. As acessibilidades aéreas têm de ser articuladas com as acessibilidades marítimas inter-ilhas. Queremos um desenvolvimento bem estruturado e sustentável.
O Movimento pelo Aeroporto da Horta defende que os Airbus operem sem restrições operacionais e a criação das RESAs (Áreas de Segurança após o Fim de Pista). É fundamental termos um Aeroporto bem dimensionado às atuais necessidades de passageiros e de carga e aos tipos de aviões que o vão usar. Queremos um Aeroporto pensado para o futuro, sem ideias delirantes, manias de grandezas e preocupações excessivas com os aspetos económicos. Dada a localização do Aeroporto, é forçoso falar dos impactos ambientais negativos e das medidas que têm de ser tomadas para os minimizar e/ou reverter.
Em 4 de julho de 1985, a TAP iniciou as ligações entre LIS-HOR-LIS com o B737-200. Em 1991, a pista foi ampliada de 1 500 metros para 1 647 metros. Era insuficiente. Continua a necessidade de ampliar a pista. Até ao fim da década de 1990, a TAP usou os B737-200 e B737-300. Em 2000, chegaram os A319 e A320.
O Estudo Prévio, inteligentemente apropriado pela CMH, foi usado para fazer um xeque-mate político ao PSD Faial, esvaziar as queixas do Movimento pelo Aeroporto e capitalizar para si o apoio dos faialenses. Em seguida, foi a ligeireza nos pedidos de audiência e na presunção. Contudo, o Movimento pelo Aeroporto vê o Estudo Prévio e a Avaliação do Impacto Ambiental (AIA; e não confundir com o EIA – Estudo do Impacto Ambiental) como uma importante ferramenta de trabalho.
O Estudo Prévio foi feito em função do A321neo. Uma vez que os A321neo LR (Long Range) não estão disponíveis, a Airbus disponibilizou em abril e maio de 2018, dois novos A321neo à Azores Airlines para voos intercontinentais. Segundo Paulo Menezes, ex-presidente do Grupo SATA, o A321neo não é para as rotas de Lisboa para a Horta, Pico e Santa Maria. Desde 2007, já havia muita vontade da CMH e da CCIH que o Aeroporto fosse um destino de voos charter – quer da Europa, quer dos EUA e Canadá. Já se pensava no A321. Agora falamos do A321neo.
Para o A321neo não ter penalizações, diz o Grupo de Trabalho, é necessário uma pista de 2 200 metros para descolar em MTOW (Peso Máximo para Descolar em segurança) e 2 050 metros para aterrar em pista molhada. Além disso, a resistência do pavimento da pista (PNC) tem de suportar o peso do A321neo. Terá em cada cabeceira de pista uma RESA de 90 metros, o tamanho mínimo, não o tamanho recomendado, de 240 metros.
O Aeroporto da Horta tem “grooving” na pista, desde dezembro de 2007. Isso melhora a drenagem da pista em dias de chuva e facilita a aderência das rodas. A recente implementação da RNP-AR (navegação de precisão por via satélite) vem reduzir o número de cancelamentos de voos por tetos baixos e visibilidade reduzida, tem maior precisão e segurança no voo, redução no consumo de combustível e nos tempos de voo. Além disso, a Airbus tem certificada a tecnologia SHARP (SHort AiRfield Package) que maximiza a capacidade de carga e a rentabilidade dos Airbus em pistas relativamente curtas. Isto é uma mais-valia utilizável que não deve ser desconsiderada, mesmo com a necessária ampliação da pista.
Com o fim do leasing dos A320-214, chegará os A320neo. A variante NEO possui uma economia de combustível de 16% por assento, motores mais potentes, maior raio de alcance, menor poluição na atmosfera, menor ruído dos motores, e um custo operacional 25% menor, em comparação com as versões anteriores. Temos tudo para dar certo!
A taxa de ocupação da rota LIS-HOR-LIS em 2017 rondou os 74%. No verão IATA, apesar de um reforço superior de voos, em que temos meses que são realizados 55 voos diretos para Lisboa, temos uma taxa de ocupação de 93% e com vários dias esgotados. Porém, no inverno IATA, o número de voos é reduzido, com apenas 4 voos por semana, atingindo um mínimo de 15 voos diretos durante o mês de fevereiro, temos uma ocupação de 54%. Neste contexto, um avião mais pequeno faria todo o sentido, desde que não fosse para evitar ou retardar a necessária ampliação da pista. Eu julgo que o A220-300 (ex-Bombardier CS300) seja a melhor solução do que o Embraer 190.
Entretanto, o Aeroporto da Horta sofre com a má gestão prolongada de sucessivas administrações do Grupo SATA, da condescendência do único Acionista e da bancada parlamentar do PS na ALRAA que o suporta. Com abertura recente da renegociação do Contrato de Concessão de Serviço Público Aeroportuário, nós temos uma conjuntura única para concretizar o aumento da pista, seja com o Plano Juncker ou Horizonte 2020, e sem antagonismos ou hostilidades contra ninguém. 

José Garcia Dias
Setembro de 2018

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