FALECEU ÓSCAR JOSÉ NUNES (1935-2014) – Monitor de Pecuária e Cabo-de-Mar

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Depois de doença prolongada, faleceu na ilha do Corvo, onde residia, Óscar José Nunes, no passado dia 23 de Janeiro de 2014. Era conhecido e possuidor de largas e importantes amizades, quer na ilha do Corvo, quer noutras localidades do País e estrangeiro. A todos os seus familiares e amigos apresentamos as nossas sentidas condolências. 

Nascera na freguesia do Mosteiro, concelho de Lajes das Flores, em 23 de Dezembro de 1935, filho de Manuel Pedro Nunes e de Delfina Rodrigues Mendonça, ele natural do Corvo e ela do Mosteiro.  

Com a idade de dois anos fixou residência com a família na ilha do Corvo onde frequentou a instrução primária ministrada pelo Prof. Alfredo Lopes e pela esposa Prof.ª Maria do Rosário Rodrigues. 

Apesar de ter sido voluntariamente incorporado no BI 17 de Angra do Heroísmo em 1954, perdeu a recruta nesse ano, ali voltando no ano de 1956, donde acabou por ter baixa do serviço militar em 30 de Novembro desse ano, por incapacidade física. 

Entre Dezembro de 1956 e Abril de 1957 frequentou um estágio nos Serviços da Intendência Pecuária da Horta, da antiga Junta Geral, regressando então à ilha do Corvo onde prestou serviço como assalariado, com a categoria de Monitor de Pecuária, trabalho esse que desempenhou durante cerca de sete anos. Nessa ocasião chegou a ter actividade comercial, com excelentes representações, efectuando todo o género de comércio útil à vida corvina. Para efeitos de concorrência vendia só a pronto, mas, por isso mesmo, praticava preços baixíssimos.  

Em 28 de Maio de 1964 foi nomeado Cabo-de-Mar e colocado na vila da Calheta de S. Jorge, onde permaneceu cerca de quatro meses, tendo sido transferido para a ilha do Corvo em 6 de Agosto, como era seu desejo. Aí permaneceu e desenvolveu a sua carreira profissional, nela trabalhando com dedicação e competência, procurando sempre melhorar os seus conhecimentos para assim servir as populações e dignificar os serviços da Marinha a que pertencia. Em 28 de Outubro de 1974 foi promovido a Cabo-de-Mar de 2.ª Classe, mantendo-se no mesmo Serviço. Em 28 de Fevereiro de 1980 ainda viria a ser promovido a Cabo-de-Mar de 1.ª Classe, ficando igualmente no mesmo Serviço. 

E é assim que, em 23 de Dezembro de 1992, por ter atingido o limite de idade, passa à situação de aposentado.

Entretanto, porque na ilha do Corvo o seu serviço lhe permitia o tempo disponível para o exercício de outras actividades úteis à sociedade corvina, aceitou assumir, gratuitamente, o cargo de Vice-Presidente da Câmara Municipal, lugar para que foi nomeado em 8 de Agosto de 1972. No ano seguinte, também foi nomeado pelo Governador Civil da Horta, Dr. António de Freitas Pimentel, Presidente da Comissão Municipal de Assistência Social, cargo que exerceu nas mesmas condições. Também exerceu o cargo de Secretário da Mesa da Santa Casa da Misericórdia do Corvo, de que é irmão. Todos esses lugares foram desempenhados até ao “25 de Abril de 1974”. 

Depois dessa Revolução foi nomeado, em 1977, para instalar a primeira Câmara Municipal do Corvo eleita democraticamente, o mesmo acontecendo depois com a Assembleia Municipal. Após adequado interregno aceitou fazer parte das listas do PPD/PSD, como independente, nas eleições autárquicas de 1993, tendo sido eleito para o cargo de Presidente da Assembleia Municipal, lugar de que se viu forçado a renunciar, em 28 de Fevereiro de 1994, por motivos de saúde. 

Dado ser de feitio simples, prestável e simpático, rapidamente faz amizades, situação que manteve ao longo da vida, quer entre as classes sociais mais baixas e humildes, quer entre as mais altas individualidades políticas, sociais e económicas, publicitando sempre, com sábia visão, a ilha do Corvo. Culto e bem informado para o meio em que vive, está sempre pronto a emitir opinião sobre os assuntos que conhece. Por esse motivo, conviveu com as mais distintas personalidades, que o apreciaram ao ponto de lhe oferecerem algumas excelentes amizades. Dessas salienta-se o General Silva Cardoso, antigo Governador de Angola, que, em 2002-09-27, lhe ofereceu o seu livro “Angola, Anatomia de Uma Tragédia”, onde escreveu significativa dedicatória. 

É, assim, que a sua casa já tem servido de anfitriã, como ele gosta de referir, para receber as mais altas autoridades do País por ocasião das suas visitas oficiais à ilha do Corvo: em 1989 recebeu o Presidente da República, Dr. Mário Soares, com outros elementos da comitiva, e, em 1999, o Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, a mulher e o filho; para além de dormirem uma noite, tomaram o pequeno-almoço e com ele conviveram amistosamente; de igual modo, na sua casa recebeu, em data que não pudemos precisar, o Ministro da República, General Rocha Vieira, com a família e com o seu Chefe de Gabinete, Coronel Albino Raiano.

Dos muitos louvores por ele recebidos motivados por bons serviços prestados, salientamos que, em 10 de Julho de 1991, foi louvado pela Capitania do Porto de Santa Cruz das Flores, dirigida pelo Capitão-Tenente Mário Manuel Lajoso, pela forma eficiente como exerceu o cargo de Cabo-de-Mar, nomeadamente na “sua actuação no relacionamento com muitas e diversas personalidades nacionais e estrangeiras que visitam a ilha do Corvo”. 

Por tudo isso, em 8 de Julho de 1992, Dia da Marinha, foi condecorado com a medalha de 4.ª Classe da Marinha/Armada Nacional; em 2 de Janeiro de 1992 a Câmara Municipal do Corvo, presidida no tempo pelo médico local Dr. João David Cardigos dos Reis, concedeu-lhe público e extenso louvor pelos relevantes serviços prestados à sociedade em geral, nele tendo sido pormenorizadas algumas das suas vastas qualidades, quer como profissional, quer como cidadão.  

Mas a sua maior condecoração foi-lhe concedida em 10 de Junho de 1992, Dia de Portugal, no Teatro Nacional de S. Carlos, por Sua Ex.ª o Presidente da República, Jorge Sampaio, com a comenda da “Ordem de Oficial do Mérito” e jantar oferecido no Mosteiro dos Jerónimos.

Chegou a ser na ilha do Corvo correspondente de diversos jornais, designadamente do “Diário de Lisboa” e do “Açores”, bem como do “Rádio Clube de Angra”.

Era um profundo contador de histórias da ilha do Corvo, facto já aproveitado, quer por altas individualidades que visitaram a ilha, quer por jornalistas, pela rádio e pela televisão. 

 Seria fastidioso evidenciar todas as suas actividades ao longo de uma vida, seja ao serviço do interesse público e colectivo, seja ao serviço dos cidadãos comuns. 

Para além de ser um excelente conversador, gostava de ler, de ver televisão e de ouvir rádio, sobretudo para andar devidamente actualizado, possuindo, deste modo, uma boa cultura, acima da média do meio corvino. 

 

Fonte: Elementos curriculares fornecidos pelo próprio e arquivados nos meus documentos em Agosto de 2008; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Histórias e Gentes da Ilha do Corvo”, (2011), pp. 199 a 201.

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