Figuras marcantes doutros tempos “Senhores Henrique Janeiro, Lucas da Silva e Badela Catraieiro”

0
13
TI

Na sequência da evocação de figuras marcantes na ridente cidade da Horta, no tempo em que era jovem e lá residia, os três nomes que acima refiro acudiram-me à memória, por circunstâncias díspares, porém, por mim vividas e bem admiradas nesses tempos, já distantes.

Começarei pelo senhor Henrique Janeiro, pai do mundialmente conhecido “Peter” do Café Sport, por sua vez, internacionalmente referenciado.
Recordo-me, com saudade, de entrar, ao sábado, à noite, na companhia do meu pai, no então já muito falado Café Sport, ao tempo já largamente frequentado, o mais tarde afirmado “ninho” por excelência das tripulações dos rebocadores holandeses, que faziam base de estadia na abrigada e admirada Baía da Horta.
Lembro-me, como se fosse hoje, de me aproximar da mesa, à entrada do café e onde estava sentado o senhor Henrique Janeiro, para ele me trocar dólares, muito em voga na cidade, largamente povoada por “militares” das forças aliadas, que os ostentavam com normalidade e, também a ele recorriam com idêntica finalidade.
O senhor Lucas, do Cais, como era vulgarmente conhecido de muita gente, era proprietário duma conhecida e bem frequentada mercearia que mantinha, ao lado, um café afamado, ambos os estabelecimentos situados nos bairros da sua imponente moradia. Era pai de vários filhos e filhas entre eles, o mais que conhecido “José Lucas”, figura muito popular que, findos os estudos liceais no Liceu da Horta, rumou para voos mais altos a fim de tirar o curso, muito em voga, intitulado de “económicas e financeiras”.
Um belo dia e na companhia doutro filho, de nome João, meu colega, entrei no atrás citado café e, deparei-me com o senhor Lucas bem refastelado numa mesa, a jogar o “solo”.
Para não estar calado perguntei-lhe pelo filho José, como ia andando nos estudos. Resposta pronta: “Olha rapaz, ele diz que o curso é composto de “financeiras” e, talvez, seja verdade, mas económicas é que não são”.
Por fim, o senhor Badela Catraeiro nunca lhe conheci com outro nome. Era um apreciado e reconhecido catraeiro da Baía da Horta, sobejamente conhecido e também conhecedor exímio dos seus meandros, das peripécias singulares e dos eventos relevantes, ali acontecidos, nomeadamente, o contrabando. Este cavalheiro convivia, frequentemente, tanto com o senhor Lucas, como com o senhor Henrique Janeiro.
É com veneração, assumida e sentida, que recordo mais estes três figurantes famosos desta ridente cidade mar.” 

Agosto de 2017,

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO