Já nos temos referido ao programa dominical “Harmonia” da Antena 1 e que frequentemente acompanho ao pequeno almoço. Na manhã de 14 de Agosto tive o prazer de ouvir dois trechos executados pelas filarmónicas Liberdade Lajense do Pico e Unânime Praiense do Faial. Por a esta última estar deveras ligado, quer por nascimento na Praia do Almoxarife, ou popularmente de Santo Cristo, nome que gosto frisar, quer por meu avô Constantino Magno do Amaral ter sido sócio fundador, e meu pai “Júnior” aos 15 anos a ter também regido, tudo isto para justificar mais algumas linhas sobre a Música da minha terra. E começo pela única colaboração dada, nanja musical, pois só toquei ferrinhos nos ranchinhos de natal, mas a corresponder a honroso convite para escrever um texto no Livro comemorativo do Centenário da Sociedade Filarmónica Unânime Praiense. Hoje, porém, vou ficar apenas por um dos maiores eventos em que a Unanime Praiense se distinguiu nos seus já 135 anos de vida em prol da cultura musical. Foi no 1.º Concurso Nacional de Filarmónicas e Bandas Musicais Civis, organizado pela FNAT (agora Inatel), concorrendo na 3.ª categoria, por inteligente decisão do saudoso Maestro Alberto Vargas, naturalmente ciente que seria a mais indicada, no que não se enganou. Entrou mesmo com o pé direito, já que a estreia, em Dezembro de 1959, no Teatro Faialense, constituiu um grande êxito, tendo sido apurada, entre 35 concorrentes, para a final em Maio seguinte na cidade de Setúbal. E tão apreciada foi que mereceu do júri o 2.º lugar, aliás uma classificação assaz honrosa, e alvo de maiores elogios da assistência. Também fora do palco a “Unânime Praiense” foi deveras saudada, recebendo vibrantes palmas quando desfilou na Avenida da Liberdade, tanto pelo garbo dos seus Filarmónicos, como pelo sugestivo fardamento de calças brancas e casaco azul escuro, algo de inspiração marítima e original para os continentais! E como sempre o Povo do Faial foi grato, desta feita aos Músicos da Praia de Santo Cristo, prestando-lhes grandiosa recepção: do Cais à Casa do Município, onde eram aguardados pelo Presidente Sebastião Goulart e Vereação. Gesto de Criança Emigrante E tão lindo e oportuno foi que fiquei deveras sensibilizado: a ponto de não resistir a voltar pela terceira vez seguida a falar do Campeonato Europeu, ganho por Portugal, sem me lembrar do frade do provérbio. Terminada a final, no meio de emigrantes portugueses dando largas a natural alegria, uma criança duns dez anos, envergando uma camisola das Quinas, dirigir-se a um ancião francês, visivelmente desolado pela inesperada derrota, e com gestos infantis de consolação, aliás bem compreendidos por recebidos carinhosamente. Felizmente que o operador televisivo atento profissional, registou tão lindo momento que até correu mundo. De Baixo de Olho! Quando o Porto da Horta dava cartas na navegação à vela e a vapor, os faialenses eram apelidados de contrabandistas espertos, jamais ouvindo ser gente a ter debaixo do olho. Aliás, uma expressão sempre usada pela positiva (elogiosa mesmo) quando o Faial andava nas bocas do mundo, no tempo da navegação à vela e a vapor. Agora, só nos salva a marina a transbordar de iates com dezenas de pavilhões, a 4.ª mais procurada e escalada pelo que a famosa publicação “Business Insider” coloca o Faial entre as 17 ilhas a ter debaixo do olho! E tão somente pelas lindas prendas com que Deus dotou a Ilha, azul das hortências. (O autor escreve segundo a antiga ortografia)












