Florentinos que se distinguiram – PADRE LUÍS PIMENTEL GOMES (1914-1986) Sacerdote, ouvidor e professor do Ensino Secundário

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Natural da Fazenda, concelho de Lajes das Flores, onde nasceu a 15 de Junho de 1914, era filho de Francisco Pimentel Gomes, agricultor, e de Maria do Livramento Gomes, doméstica.

Fez o Ensino Primário na escola da sua terra natal, e tinha 14 anos de idade quando ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo. Não obstante a sua clara timidez e o seu feitio introvertido, tinha com os seus colegas e professores um excelente relacionamento. Foi ordenado sacerdote em 11 de Junho de 1939 na Sé Catedral de Angra. A sua Missa Nova foi celebrada em 16 de Julho na igreja do Senhor Santo Cristo dos Milagres da sua terra natal. Nesta solenidade, para além dos diversos convidados do clero da ilha das Flores, participou a excelente capela musical da sua freguesia da Fazenda, bem como a Filarmónica “União Portuguesa da Califórnia”, recentemente inaugurada na mesma localidade. O sermão, considerado pela imprensa local como “uma bela oração religiosa”, foi proferido pelo Padre Maurício António de Freitas1.
Em Janeiro de 1940 foi nomeado vigário da Fajã dos Vimes, concelho da Calheta de S. Jorge, onde se manteve até 1942, ano em que foi nomeado pároco da Ribeira Seca, importante freguesia do mesmo concelho. Aí desenvolveu uma intensa e brilhante actividade sacerdotal, expandindo então a diversidade activa da sua juventude e das suas convicções religiosas durante um período de cerca de cinco anos.
Entretanto, com o falecimento do Padre Francisco Cristiano Korth em 16-1-1946, foi colocado na freguesia da Fazenda, sua terra natal, em 25 de Dezembro de 19462. Mais tarde, com o falecimento do Padre José Francisco Soares em 23-8-1947, assumiu também o cargo de ouvidor do concelho e o serviço sacerdotal da vila das Lajes3.
No mês de Novembro de 1949, em dia que não pudemos precisar, viria a ser colocado na vila de Lajes das Flores, onde se manteria o resto da sua vida, portanto até 22 de Janeiro de 1986, data em que ocorreu o seu falecimento.
Por onde passou realizou sempre uma boa actividade sacerdotal que, contudo, com o decorrer do tempo, a pouco e pouco, se foi esvaindo por diversas razões. Nestas terão estado um certo interesse material que o terá sensibilizado nesse sentido, talvez originado pelas poucas receitas paroquiais, sobretudo a partir da década de 1960, bem como o agravamento do seu estado de saúde e o seu precoce envelhecimento. Sofria da falta de ar de outros problemas graves de saúde. 
Durante os primeiros anos do exercício da sua profissão, foi um activo e diligente conservador do património religioso, tendo deixado o seu nome ligado à primeira bancada da igreja da freguesia da Fazenda, bem como à reconstrução do respectivo adro. Aí também deixou na memória dos fazendenses algumas brilhantes festas religiosas, com destaque para a grandiosa “Comunhão Solene”, realizada em 13 de Junho de 1947, cujos cânticos, a cargo dos respectivos jovens, ficaram inesquecíveis para todos os que nela participaram. Fizemos parte desse grupo.
Procurava sempre manter bons grupos corais musicais nas suas igrejas, quer masculinas, quer femininas e ou de crianças, dedicando-lhes especial empenho e possuindo para o efeito grande sensibilidade, não obstante ter poucos conhecimentos de música. Na vila das Lajes reorganizou a Filarmónica “Nossa Senhora do Rosário”, que viria a manter-se activa ainda mais alguns anos durante a década de 1960.
O rigor e a qualidade que imprimia às solenidades e festas religiosas ou às demais actividades sacerdotais, sobretudo durante as primeiras décadas do seu múnus sacerdotal, merecem os maiores elogios de todos os que puderam apreciar desapaixonadamente a sua actividade sacerdotal.
Quando jovem, graças à sua cultura e inteligência, foi sempre muito solicitado para proferir sermões e conferências, já que possuía vastíssimos conhecimentos religiosos e preparava-se convenientemente para o efeito. Mais tarde viria a perder a sua dicção e, com ela, o seu empenhamento por essas qualidades oratórias. 
Distinguiu-se também como professor do Ensino Secundário privado, tendo obtido para o efeito, em 1960, o respectivo diploma. Assim, viria a dar sequência ao mesmo ensino, designadamente depois da saída do Prof. Fernando Sousa, conhecido por Prof. “Barata”, quando este em Julho de 1961 deixou Lajes das Flores e se fixou na ilha Terceira, tendo então prestado um excelente serviço aos florentinos, nomeadamente aos da referida vila e das freguesias mais próximas4. 
Para esse efeito, preparava os alunos para os exames de admissão aos Liceus, bem como para os 1ºs. e 2ºs. anos do 1º. Ciclo, cujos exames eram então realizados no Liceu Nacional da Horta, onde os referidos alunos se tinham de deslocar. Assinava-lhes as cadernetas classificativas ou de frequência e, assim, os jovens podiam permanecer nas suas casas, inscritos no Liceu Nacional da Horta, situação que já realizava aos alunos matriculados no Liceu e que frequentavam as aulas do Prof. “Barata”. Manteve esse ensino praticamente até ao momento da semi-oficialização do Colégio da Imaculada Conceição de Santa Cruz das Flores, salvo erro até aos últimos anos da década de 1960.
Depois do falecimento do Padre José Furtado Mota, ocorrido em 18 de Fevereiro de 1963, passou a acumular também com Lajes das Flores o serviço sacerdotal das freguesias do Lajedo e do Mosteiro.
Devido ao seu feitio reservado e obstinado, certamente agravado pela doença que desde cedo o começou a atormentar, nos últimos anos da sua vida não gozava da popularidade e simpatia que tinha anteriormente. Possivelmente pelos mesmos motivos não imprimia já nessa ocasião à sua actividade sacerdotal a qualidade e a dedicação que o notabilizou durante os primeiros anos da sua vida pastoral.
Era, contudo, bastante culto e conhecedor dos diversos temas das actividades em que se envolvia, já que, para além de possuir uma base cultural muito boa, preparava-se convenientemente para as enfrentar com zelo e competência.

 
BIBL: “Padres das Flores”, 1999, p. 83, ed. da C. M. de Lajes das Flores, de José Arlindo Armas Trigueiro; Jornal “As Flores” de 22-7-1939, de 26-1-1946 e de 30-8-1947; Jornal “A União” de 23-1-1986; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Fazenda das Flores, Um século de Sucesso – 1900-2000”, (2008), pp 288, ed. da Câmara Municipal das Flores.
1 Jornal “As Flores”, de 22-7-1939.
2 Jornal “As Flores”, de 26-1-1946, de 11-1-1946.
3 Jornal “As Flores”, de 30-8-1947.
4 Jornal “Correio da Horta”, de 26/27-1-1996.

 
 

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