Forte de Santa Cruz recebe Colóquio evocativo do Bicentenário da batalha do General Armstrong

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No passado sábado dia 27 de setembro, o Forte da Pousada de Santa Cruz foi palco de um colóquio internacional intitulado “The Wonderful Battle of the Brig Gen. Armstrong at Faial, 1814”, que contou com a presença de historiadores açorianos e americanos.

Organizado pelo Observatório do Mar dos Açores (OMA) e a Câmara Municipal da Horta (CMH), o evento contou com o alto patrocínio da Secretaria do Turismo e Transportes, com o apoio da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH) e das Pousadas de Portugal.

A 27 de Setembro de 1814, a baía da Horta, foi cenário de uma batalha entre uma frota de navios ingleses e um brigue norte-americano que terá sido decisiva na luta pela independência dos Estados Unidos. Protagonizada pelo brigue corsário americano “General Armstrong” e por uma esquadra britânica comandada pelo Comodoro Robert Lloy. Esta batalha, desencadeou um longo processo diplomático entre Portugal, Inglaterra e os EUA, que só viria a ser concluído, com a arbitragem de Luís Napoleão a favorecer os EUA, em 1851.

A sessão de abertura, que decorreu na manhã de sábado, contou com a presença do Presidente da CMH, José Leonardo, da Presidente da (ALRAA), Ana Luís, do diretor regional do Turismo, João Bettencourt, para além do Cônsul dos Estados Unidos em Ponta Delgada e do Cônsul de Portugal em New Bedford.

 Na sessão de abertura deste evento, José Leonardo Silva, Presidente da CMH, destacou a importância deste acontecimento na história do Faial, que no seu entender “influenciou e ainda influencia o modo de viver da população local e a sua relação com outros paragens e povos que aqui aportam anualmente”.

Para o presidente esta qualidade cosmopolita do Faial e dos faialenses demonstra a necessidade de reforçar a aposta no turismo e na cultura, como áreas que “podem e devem caminhar lado a lado na compreensão dos fenómenos sociais e na sua promoção junto de quem nos visita”, salientou.

José Leonardo, defendeu no contexto das relações entre os Açores e os EUA, que seria interessante avaliar a possibilidade de ser enquadrado na reabilitação da Frente Mar da cidade da Horta, um marco conjunto entre as duas comunidades, que assinalasse este acontecimento e a sua importância no âmbito da guerra de 1912 e das relações bilaterais entre os Açores e a América.

No dia 27 de Setembro, assinalou-se também o Dia Mundial do Turismo, e para o presidente da Câmara este evento não poderia ter melhor enquadramento, considerando a este respeito que: “o tema proposto para o dia Mundial do Turismo é justamente o exercício de relacionamento entre o turismo, a comunidade e o próprio desenvolvimento”, áreas essas que segundo o autarca, o município tem procurado fazer uma reflexão em colaboração com vários parceiros, na medida em que, acredita que “através do Turismo nas suas várias vertentes e tendo o mar e a economia do mar como bases fundamentais de crescimento teremos na ilha do Faial e nos Açores o percurso de desenvolvimento definido e revelada a aposta mais acertada”, afirmou.

José Leonardo não esqueceu também a erupção do vulcão dos Capelinhos que este ano e neste dia, assinalou 57 anos, um acontecimento de “grande importância ao nível da emigração, para os EUA e para o Canadá”, onde hoje existe uma comunidade ativa e de grande dimensão, lembrou.

A terminar o Edil defendeu ainda que era importante que “não nos ficássemos pelo enquadramento histórico deste momento, mas que o projetássemos no futuro e exigíssemos a nós próprios uma refleção sobre o roteiro e roteiros de visitação que podemos potenciar a partir daqui ao turista que visita o Faial e os Açores”.

Como não poderia deixar de ser, e na qualidade diretor regional do Turismo, João Bettencourt, centrou o seu discurso nas comemorações do Dia Mundial do Turismo, cujo tema deste ano se intitula “Turismo e desenvolvimento comunitário”.

João Bettencourt, chamou a atenção para a necessidade de se refletir a nível mundial sobre esta interdependência entre a atividade turística e as comunidades locais. “É impossível pensar o turismo sem pessoas e o sucesso do desenvolvimento de um destino turístico depende em absoluto do envolvimento das populações”, defendeu.

O diretor lembrou a este respeito, que o Governo está ciente desta realidade, optando por seguir em simultâneo políticas direcionadas para a sustentabilidade ambiental, assim como da sustentabilidade das comunidades. “O turismo enquanto dinamizador das economias locais, pelo seu papel gerador de empregos e de riqueza é uma das grandes apostas da Região Autónoma dos Açores, mas sempre num contexto de desenvolvimento sustentável”, afirmou.

João Bettencourt, referindo-se às políticas de desenvolvimento sustentável do turismo nos Açores, que oferecem aos turistas um contato direto com a natureza, destacou os galardões ambientais com que os Açores têm sido premiados, que confirmam, no seu entender, que “esta é uma aposta acertada para nos valorizarmos e fortalecermos como destino turismo de natureza”, afirmou , lembrando a este respeito que “os Açores são em 2014, o primeiro e o único até à data destino Quality Cost de Platina”.

A presidente da ALRAA, Ana Luís, felicitou em primeiro lugar os presentes e os organizadores deste evento que “junta, ao abrigo da história, Portugal e os Estados Unidos, os Açores e Massachusetts, Horta e New Bedford”, revelou.

 A presidente, à semelhança de José Leonardo, defendeu que “esta comemoração leva-nos a rever os laços consolidados entre as nossas terras e as nossas gentes e a projetar essa ligação no futuro”, lembrando que “esta relação vem de longe, dos primeiros açorianos que chegaram à América no século XVIII, e passou pela chegada da família Dabney aos Açores e a esta ilha, nos remotos anos de 1800”.

No entender de Ana Luís “esta relação passa também por um património material e imaterial tecido nas duas margens do Atlântico, com afetos, família, emoções, raízes identitárias, mas também com baleeiras, marcas museográficas, edificações da família Dabney, registos historiográficos ainda por aprofundar”, afirmou.

Para a presidente “esta comemoração é, na verdade, uma oportunidade para celebrarmos esta herança mas também para pormos os olhos no futuro e revitalizarmos o que pode e deve ser protegido, acarinhado e defendido, na medida em que é um espólio para os naturais, uma atração para os visitantes e porque representa o respeito pela história de um povo”, salientou.

Horta uma espécie da capital do “iating”

Ricardo Madruga da Costa, foi o conferencista que deu o arranque a este colóquio, ainda na sessão de abertura.

Para o historiador, este acontecimento faz parte de um encadeado histórico em que a Horta representa uma posição muito significativa na relação entre os EUA e a Europa. O facto de o Faial se localizar a meio do Atlântico, representou para os EUA no século XIX um ponto crucial entre os dois mundos.

Madruga da Costa explicou que as técnicas de navegação, obrigavam a que a Horta fosse procurada.

O historiador considerou que esta batalha à nossa escala, teve grande importância, não só na altura mas até anos depois, tendo em conta que o diferendo entre Portugal  e a América, pelo facto de Portugal não ter zelado pelo seu próprio estatuto de posição neutra e acautelado os interesses do navio Américano. “Isto gerou um contencioso muito prolongado que só anos depois é que veio a ser resolvido, com decisão favorável a Portugal”, disse.

Madruga da Costa, revelou à margem deste colóquio, e quando questionado se a história da Horta e estes acontecimentos poderiam vir a cair no esquecimento, com o evoluir do tempos, que: “a história nunca pode ser desvalorizada, os factos ficam e marcam”, no entanto, esclareceu que, “com a chegada da navegação a carvão com a crescente autonomia das viagens e mais tarde com o diesel, os Açores e o Porto da Horta perdem relevância”.

O facto de ter sido construído em primeiro lugar o Porto de Ponta Delgada, que antecedeu a construção do Porto da Horta, deu, no entender do historiador, uma vantagem a Ponta Delgada no desviar da navegação, mas é sobretudo pela autonomia que os navios vêem ganhando que a Horta vai perdendo gradualmente a sua importância.

No entanto, e para Madrugada da Costa, essa importância foi transferida para a navegação a recreio. “Hoje em dia, a Horta, é uma espécie da capital do “iating” no Atlântico Norte e portanto, perdemos a valência desta valorização do Porto em relação à navegação comercial, mas a Horta está a ser valorizada e pode crescentemente ser valorizada como grande porto de escala da navegação de recreio a nível do Atlântico”, revelou, acrescentando a este respeito que “a Horta pode escrever algumas páginas interessantes e importantes da sua história, nesta componente especifica”. 

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