Fórum Acessibilidades Aéreas – Ampliação do Aeroporto da Horta uma “questão de vontade política” entende eurodeputado

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O Grupo Aeroporto da Horta promoveu um Fórum sobre acessibilidades aéreas que contou com a presença do eurodeputado do PSD, José Manuel Fernandes, relator do Plano Junker.
O eurodeputado entende que o aumento da pista do Aeroporto da Horta é apenas “uma questão de mera vontade política”, uma vez que não só o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos pode financiar este projeto, como também a reprogramação dos fundos do programa Portugal 2020, que está a decorrer, pode atribuir “um pequeno montante para este objetivo”, disse.

A Sociedade Amor da Pátria, recebeu no serão do passado sábado o Fórum Acessibilidades Aéreas, organizado pelo Grupo Aeroporto da Horta.
A iniciativa teve como principais oradores José Manuel Fernandes, eurodeputado do PSD, membro do grupo do Partido Popular Europeu e um dos relatores do Plano Junker, o Grupo de Trabalho da Câmara Municipal da Horta (CMH), responsável pelo projeto de ampliação da pista e Carlos Morais em representação de um grupo de empresários de turismo do Faial.
Perante uma sala cheia, o eurodeputado explicou que o plano Junker são empréstimos com taxas de juro mais baixas, que se apresenta como um plano adicional, ou seja, “só financia aquilo que os outros fundos não financiam”.
Segundo José Fernandes “já há vários exemplos de aeroportos financiados pelo plano Junker”. No entanto e no caso da Ampliação da Pista do Aeroporto da Horta, o social democrata entende que em vez de se recorrer ao Plano Junker, “se devia procurar financiamento nos fundos que estão à disposição”, a este respeito salientou que Portugal no âmbito do programa Portugal 2020 tem disponível cerca de 30 mil milhões de euros, cujos planos vão agora ser reprogramados.
“A execução destes 30 mil milhões de euros atribuídos a Portugal vai em cerca de 6 mil milhões de euros”, adiantou o eurodeputado considerando que “é nesta reprogramação que se pode atribuir dinheiro a novos investimentos”.
Neste contexto, José Fernandes deixou a sugestão de se “dizer ao governo que na reprogramação Portugal 2020 sejam incluídos fundos para a ampliação da pista do Aeroporto da Horta”. A este respeito esclareceu “que o governo de Portugal pode fazer a reprogramação dos fundos sem mudar o envelope financeiro as vezes que quiser, desde que vá de encontro aos objetivos da União Europeia”, isto no caso de o governo alegar que já tem programados todos os investimentos e por isso já não é possível fazer alterações.
O eurodeputado avançou ainda, que existe também outra possibilidade para o aeroporto da Horta. “Dos 35 milhões de euros necessários para o aumento da pista, parte pode vir dos fundos do Portugal 2020 e outra parte pode-se ir buscar ao plano Junker”.
A propósito do estudo apresentado pelo grupo de trabalho da CMH, José Fernandes salientou que o mesmo “tem todas as condições para andar, dentro de todas estas possibilidades de investimento e mesmo da junção de fundos”.
Para José Fernandes trata-se apenas de “uma questão de mera vontade política”, acrescentando que “neste momento o que é preciso é convencer os vários atores políticos”.
Na ocasião, Dejalme Vargas mostrou-se satisfeito com o número de presentes, registando que “esta forte presença” demonstra que “os residentes no Faial partilham plenamente os nossos objetivos e as nossas preocupações no que toca às acessibilidades à ilha”.
O Grupo Aeroporto da Horta, liderado por Dejalme Vargas, foi criado em 2016 e desde então já protagonizou duas manifestações junto à sede do parlamento açoriano, mobilizando mais 800 pessoas, tornando-se nestes últimos anos num movimento de ação cívica em torno deste assunto.
A realização de mais esta iniciativa, teve, de acordo com o líder, o objetivo de “contribuir para o esclarecimento” de todas as questões relacionadas com as acessibilidades, que preocupam os faialenses e mais concretamente com “o aumento da pista do Aeroporto da Horta”, nomeadamente em relação ao investimento “se pode ou não ser integrado nos apoios comunitários”, esclareceu.
O porta-voz, adiantou, que mais de cinco mil pessoas, seguem o grupo e partilham as suas questões, preocupações, queixas ou sugestões. “Fomos e somos um grupo que esteve e está sempre aberto ao diálogo com os faialenses, com as entidades regionais e com o Grupo SATA, com quem já reunimos”, frisou.
“Não somos um grupo com filiação partidária, o nosso partido é o Faial e a conquista de mais e melhores acessibilidades”, afirmou o líder, acrescentando que “não queremos tirar nada a ninguém, queremos apenas aquilo e pedimos aquilo que é justo e necessário para nosso futuro”, reforçou Dejalme Vargas.
De acordo com o representante do grupo o “objetivo é a resolução dos problemas” que o Aeroporto da Horta apresenta e conseguir “uma melhoria substancial na qualidade do serviço que o Operador SATA presta a quem reside e a quem nos visita”, defendeu.
Para Dejalme Vargas, a resolução “destes dois obstáculos no nosso desenvolvimento será crucial na afirmação e desenvolvimento económico do Faial e desta região do Arquipélago”, sustentou.
Relativamente ao aumento da pista o porta-voz lembrou que se trata de “uma necessidade que se transformou em promessas sucessivamente adiadas há quase duas décadas”, e não de “capricho”, defendendo ainda que é “imperativo” que se continue a ter ligações aéreas diretas a Lisboa, como centro recetor e distribuidor dos fluxos turísticos e económicos.
Neste sentido, defendeu também que “a ampliação da pista, acompanhada pela criação das zonas RESA (Runway End Safety Áreas), aliadas a uma estratégia comercial por parte do grupo SATA, que vem estrangulando voluntariamente a rota da Horta, ao mesmo tempo que promove outras rotas, prejudicando o Faial e a sua economia”, são fundamentais para o desenvolvimento local.
Em declarações ao Tribuna das Ilhas, Dejalme Vargas adiantou que desde sempre o grupo soube que a questão do aumento da pista era “meramente política”, mas a novidade está, no entender do líder “nas ferramentas que o eurodeputado deixou para que politicamente se possa ir buscar os fundos para avançar com o projeto”, disse.
O líder avançou ainda que o grupo vai estudar agora “outras formas para pressionar o governo e as entidades responsáveis para a concretização desta obra”.
A finalizar Dejalme Vargas deixou a garantia que o grupo vai continuar a promover “tertúlias ou fóruns” em torno deste assunto até que sejam atingidos os seus objetivos.
Por sua vez, o Vice-presidente da CMH explicou que a autarquia, na sequência dos “problemas associados às acessibilidades e nomeadamente com a ampliação da pista do Aeroporto da Horta”, decidiu criar um grupo de trabalho, composto por cidadãos locais com vista à criação de estudo tendo em vista essa ampliação, “uma vez que os dados disponíveis apontavam para valores na ordem dos 73 milhões de euros”.
Luís Botelho, sublinhou ainda que o estudo foi apresentado ao público e remetido para as entidades competentes. Estudo este que foi também dado a conhecer no decorrer deste fórum.
Na indisponibilidade manifestada pelo presidente da Câmara do Comércio Indústria da Horta em estar presente neste evento, Carlos Morais foi convidado a representar um grupo de empresários ligados ao setor do turismo.
Na sua intervenção o empresário não poupou criticas à SATA. Carlos Morais acusou a transportadora aérea regional de não fazer promoção da rota da Horta. “A SATA promove todas as rotas, mas esquece-se de promover a rota da Horta”, uma rota que no seu entender “a partir de abril, vem seis vezes por semana, onde em julho e agosto, vem dez vezes por semana. Nem esse trabalho de casa eles sabem fazer”, afirmou.
Não foi só a SATA que o empresário teceu criticas em relação à promoção do destino. Carlos Morais acusou também a Associação de Turismo dos Açores (ATA) de não distribuir bem a verba destinada à divulgação dos Açores. “A ATA gasta milhões em promoção, mais de 10 milhões por ano, em que grande parte do dinheiro é investido na criação de novas rotas ou na sustentabilidade de algumas rotas para algumas ilhas do arquipélago dos Açores, mas infelizmente, nem apenas umas migalhas desse dinheiro chega ao Faial”, disse.

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