Frederico Machado, Grande na Humildade e na Ciência

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Em tempo de Centenário do nascimento de Frederico Machado, pouco ou nada a mais há a dizer ao que foi dito no “Amor da Pátria” e escrito nos jornais que li, particularmente no “Tribuna das Ilhas” e transmitido na Rádio e Televisão.
Na verdade, um Faialense que honrou a sua ilha e muito a amou, por vontade sua nela teria vivido a vida inteira, mesmo assim o suficiente para deixar a boa imagem de cidadão, Grande na humildade e na ciência.
Exerceu com agrado geral o ingrato cargo de Director das Obras Públicas do Distrito da Horta.
Quando estava no DOP, Depar-tamento de que foi primeiro Presidente, uma vez houve que me disse ter uma coisa para me mostrar.
Nada menos do que o programa, por ele elaborado, devidamente pormenorizado, para a criação de um Curso de Pesca, em dois anos, mas que não viria a ser aceite pelo respectivo Ministro, com o estafado argumento de não haver nada do género no Continente.
Servir a sua terra era ponto de honra, aliás o caso de participar em lista do CDS a eleição nacional, indo mesmo em terceiro lugar, embora fosse o mais categorizado candidato.
A propósito, tivemos, a Maria João e eu, o agrado de o receber em nossa casa para um pequeno almoço, em que, com certeza, se falou da situação política, no Faial e nos Açores.
Conheci o Frederico Machado em princípios da década 30 do último século quando entrei para o Liceu Manuel de Arriaga, instalado então no Palacete do Barão da Ribeirinha, estava ele no 4º. Ano.
Assim nascia uma amizade que foi naturalmente crescendo pela vida fora.
Cultivou até a amizade com os colegas liceais, sempre os acompanhando em iniciativas como a dos “Estudantes em Férias” de visita à Graciosa, no Verão de 1939, por altura da tradicional Festa do Senhor Santo Cristo.
Deslocámo-nos no iate Sto. Amaro, e além de Teatro, Variedades e Futebol, houve uma exibição de Patinagem de que fez parte o Frederico embora já licenciado em Engenharia e falado nos meios científicos europeus.
Do motivo que, ainda em plena carreira profissional, o levou a “emigrar” para Aveiro afim de leccionar como Professor na prestigiosa Universidade lusa, apenas me lembro do pesar deixado entre os seus patrícios.
Falar de Frederico Machado e ignorar o Vulcão dos Capelinhos é como ir a Roma e não ver o Papa, já que se trata do zénite da brilhante vida do maior cientista nascido no Faial.
É deveras conhecida a inesquecível noite de 12 para 13 de Maio de 1958, em que Frederico Machado arriscou o seu nome de consagrado cientista, ao aconselhar o Governa-dor a mandar evacuar a freguesia da Praia do Norte.
De justiça, lembrar que o Doutor Freitas Pimentel correu também idêntico risco, pelo que ambos se tornaram credores da Gratidão do povo faialense.
Foram de facto, os Homens que mais se evidenciaram aquando da maior catástrofe que assolou a Ilha.
Achamos mesmo ser a resposta ao título “Um currículo notável, um legado à espera do reconhecimento”, dado pelo jornalista do “Tribuna das Ilhas” sobre a reportagem do semanário, à oportuna iniciativa da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta.
Naturalmente se for aceite, como esperamos, a sugestão do também saudoso Mons. Júlio da Rosa feita neste Jornal, no sentido de serem colocados Bustos do Governador e do Cientista no “Centro de Interpretação do Vulcão”.
E deva-se dizer que a feliz sugestão não especifica se, o acto teria de ser feito no mesmo dia, não havendo, porém, dúvida que o dito Centro seja o local mais indicado, especialmente, pelo enorme número de visitas anuais.

 

DR

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