Futebol – Série Açores: Flamengos com participação inesperada na III Divisão quer manter-se por lá

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A desistência do Madalena da Série Açores abriu caminho a que o Futebol Clube dos Flamengos, vice-campeão da Associação de Futebol da Horta, pudesse contar com um inesperado lugar na III Divisão. Em vésperas de apresentação do plantel e com o arranque da competição à porta, Tribuna das Ilhas conversou com Luís Paulo Pacheco, treinador da equipa do Vale, sobre as ambições para a temporada. 

Quando surgiu a hipótese de, por via da desistência do Madalena, participar na II Divisão, o Flamengos não teve tempo para grandes ponderações. Como explica Luís Paulo Pacheco, a resposta à Federação Portuguesa de Futebol tinha de ser célere, e o clube não hesitou em aceitar o desafio. No entanto, esta oportunidade tardia trouxe dores de cabeça ao técnico e à Direcção do clube, que não tinha preparado um plantel para actuar na Série Açores: “se no final de Maio soubéssemos que íamos subir tínhamos feito uma abordagem diferente, mais atempada, ao mercado local. Tivemos de decidir muitas coisas em pouco tempo. Mas o clube já tem experiência de estar na III Divisão e rapidamente se organizou. Claro que há coisas a melhorar ao longo da época”, refere o treinador.

Com o arranque da Série Açores previsto para 23 de Setembro, o Flamengos está ainda a ultimar a contratação de alguns jogadores. Este sábado, por ocasião das festas de freguesia, o clube tenciona poder já apresentar o plantel aos sócios e simpatizantes, num evento agendado para as 15h00. Certa é, para já, a aposta exclusiva em atletas locais. Luís Paulo Pacheco tem consciência de que os gastos excessivos em planteis, procurando uma boa prestação na competição sem olhar aos meios necessários para tal, hipotecaram a saúde de vários clubes na Região e não quer que isso aconteça ao Flamengos. Presidente do clube até há bem pouco tempo, o actual treinador lembra que o Flamengos saiu recentemente de uma situação financeira menos boa: “agora que estamos mais desafogados não queremos voltar a afundar”, garante.

A preferência por jogadores locais é, no entanto, mais que uma imposição económica. Para o treinador, trata-se de cumprir o objectivo inicial da Série Açores que, entende, deve ser a valorização dos atletas açorianos. 

Como atleta, então a actuar no Sporting da Horta, Luís Paulo Pacheco assistiu e participou no surgimento da Série Açores e considera que ela não cumpriu os objectivos para que foi criada: “a Série Açores foi formada para tentar valorizar o jogador açoriano e o que vejo é o contrário. Grande parte das equipas deixou de fazer formação, olhando apenas para a competição, esqueceu-se dos jogadores açorianos e começou a trazer muitos jogadores de fora. Devia haver uma limitação aos jogadores que vêm de fora, porque senão os jogadores açorianos não têm o seu espaço. Estamos a falar de jogadores que vêm de outros campeonatos, muito mais competitivos, com um ritmo totalmente diferente, e ganham a titularidade. Desta forma os jogadores locais não têm espaço para aprender ou para se afirmar”, entende.

Para o treinador, as equipas faialenses têm sido um bom exemplo neste aspecto: “as equipas do Faial se calhar têm sido as mais responsáveis e as que mais têm trabalhado para o verdadeiro objectivo da Série Açores. Infelizmente não têm conseguido ter uma continuidade de vários anos na competição”, lamenta.

Quanto a objectivos, Luís Paulo explica que o que lhe foi pedido foi a formação “de um plantel que dignifique a camisola do Flamengos, a freguesia e a ilha do Faial”. “Vamos tentar fazer isso”, assegura, apontando a manutenção na Série Açores como o grande objectivo da época. “Sabemos que é extremamente difícil, até pela constituição do próprio plantel, que não foi formado no tempo devido. Mas estamos a tentar criar uma equipa competitiva para conseguir o nosso objectivo”, garante.

Criar um futuro desportivo sólido para o clube está mais fácil, entende Luís Paulo, desde que a formação começou a ser recuperada. Esta época, pela primeira vez, o Flamengos terá equipas em todos os escalões. “Na época passada não tínhamos juniores, por isso não é possível ter este ano jogadores nessa transição de juniores para seniores”, explica o técnico, que espera que na próxima época isso já possa acontecer. 

Uma das limitações que a equipa enfrenta neste regresso à Série Açores é o facto de não poder jogar no seu campo, que não tem as medidas oficiais exigidas. O técnico reconhece que o facto dos jogadores jogarem num piso diferente daquele em que treinam pode ser prejudicial, para além de que o factor casa é sempre importante na disposição dos atletas. No entanto, lembra que o Estádio da Alagoa, onde serão realizados os jogos, fica a poucos quilómetros da freguesia, por isso espera contar com boas assistências nos jogos.

 

 

 

 

 

 

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