Gift Shop – Gosto de recuperar viaturas antigas leva à abertura da Azores Hot Rod

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Já abriu na Horta um dos espaços mais originais do ramo automóvel.
A Azores Hot Rod promete, a par da transformação de viaturas antigas, ser uma referência no mundo “motard” com a venda de acessórios de estilo mais vintage.
A gift shop do casal Ricardo e Sandra Freitas pretende ainda ser uma marca de referência na ilha através da criação de uma linha de artigos da loja.
Como forma de diversificar a oferta e adaptar o negócio ao mercado local, o casal resolveu ainda apostar na venda de artesanato, souvenirs e lembranças sobre os Açores, disponibilizando aos turistas alguma da tradição faialense.
O casal abriu as portas do novo estabelecimento ao Tribuna das Ilhas e revelou como a Azores Hot Rod se tornou num sonho tornado realidade.

Ricardo Freitas jornalista de profissão, fora da informação, das notícias e da escrita é um “amante” dos veículos “clássicos” e das motas.
Ricardo Freitas revela a este semanário que esta sua “paixão” vem desde jovem quando tirou carta de condução, e tem crescido por influência dos “programas de transformação automóvel dos canais de televisão, como o Discovery ou o História, com origem no mercado norte-americano, onde existe uma grande cultura “hot rod”.
Embora não se considere um “colecionador”, o jornalista tem na sua garagem duas relíquias, que lhe custaram “muitas noites sem dormir”.
Com a modéstia de quem gostaria de se tornar num colecionador de carros, o empresário avança que tem “apenas duas viaturas clássicas. Uma carrinha Ford Y de 1932 e um Toyota Carina de 1971”, para além de “uma mota, que já se pode considerar antiga, uma Harley Davidson Sportster, de 1992, com um sidecar acoplado”, conta.
A este respeito o proprietário conta que foi na internet que descobriu a carrinha com um visual que “tanto gostava” e decidiu adquiri-la. “Na altura, ela tinha apenas a cabine, o chassi e as rodas. Mas pior do que isso, não tinha documentos”, conta.
Esta situação obrigou-o a contratar um engenheiro mecânico, “para fazer um projeto de transformação e entregá-lo na Direção de Viação, para que a carrinha pudesse circular legalmente”.
Foi exatamente o resultado final deste projeto de transformação da carrinha Ford Y, e também da construção do um sidecar para a sua mota, que o levaram a ponderar a hipótese de abrir um espaço comercial ligado a esta área.
“Julgo que ambos os projetos ficaram espetaculares, e como este tipo de transformação automóvel não é comum por estas bandas, decidi arriscar”, avança à nossa reportagem.
A Azores Hot Rod abriu as suas portas na Praça da República, junto ao mercado no passado dia 15 de agosto, com inúmeros convidados amantes dos clássicos e das motas.
Segundo o empresário, a loja pretende divulgar, para já, “os projetos de transformação, mostrando que há conhecimentos e capacidade instalada na ilha para concretizar projetos desta natureza. Aliás, há outros que já surgiram depois dos meus”, salienta.
Quanto ao conceito Gift Shop, o proprietário reconhece que “a vertente de transformação automóvel e “hot rod” é, naturalmente, um nicho de mercado, que se torna ainda mais reduzido numa terra pequena como o Faial”, por isso, quando com a sua esposa Sandra decidiu abrir o espaço optaram por complementar o negócio com um conjunto de soluções variadas e de qualidade que permitisse vincar no mercado local.
“Optámos por associar outras vertentes a este negócio, nomeadamente a vertente turística, com a venda de souvenirs e lembranças sobre os Açores, para quem visita a ilha, apostando no artesanato local e não só, e também numa vertente ligada ao mundo motard (no qual também me incluo), para venda de alguns acessórios (capacetes, coletes, casacos e luvas), tudo num estilo mais vintage”, afirma.
Mas a Azores Hot Rod, não se fica só por aqui, Ricardo revela que pretende ainda ser uma marca de referência na ilha, por isso decidiram “apostar também numa linha de artigos com o nome e imagem da loja”, nomeadamente t-shirts, bonés, canecas, canetas, blocos de notas, postais e quadros.
A par de todos estes serviços, Azores Hot Rod”, dispõe ainda de um serviço de aluguer de bicicletas, “também elas de estilo vintage, mais destinadas ao turista que pretende passear pela cidade, com comodidade”, revela.
Apesar de a loja agora ser uma realidade, de acordo com Ricardo Freitas, não foi um sonho fácil de concretizar.
“Infelizmente, levámos tempo de mais!”, lamenta reforçando que “inicialmente, tínhamos apontado abrir a 1 de junho, no início do verão, mas a burocracia que este tipo de investimentos implica, obrigou-nos a adiar um mês e meio a sua abertura”.
No entanto, e apesar do atraso na inauguração, o empresário está otimista com o sucesso do negócio. “O verão já vai a caminho do fim, mas o público alvo do nosso espaço não é apenas o turista que vem ao Faial nesta altura do ano. Pretendemos apostar no turismo de cruzeiro, que tem vindo a crescer substancialmente nos últimos anos. Em setembro são esperados mais cinco navios de cruzeiro no Faial e isso é bom!”, sustenta com entusiamo.
“As coisas estão feitas, neste país, não para ajudar e incentivar ao investimento, mas exatamente em sentido contrário. Fomos alertados, várias vezes, ao longo deste percurso, para o facto de não podermos avançar com nada, enquanto não tivéssemos as respetivas autorizações. Muitas vezes, elas levam uma eternidade a chegar e quem quer investir é obrigado a cruzar os braços e aguardar. Talvez por isso, há muito boa gente que desiste ou nem se atreve a começar”, desabafa.
De acordo com o empresário, para abrir este espaço contaram com o apoio do programa CPE-Premium, através da Segurança Social, destinado à criação do posto de trabalho para quem se encontra desempregado. “Naturalmente que o dinheiro não deu para tudo, por isso, recorremos também a um programa de micro-crédito”, revela Ricardo Freitas.
Numa análise ao mercado local o empresário considera que “a fase mais complicada da crise financeira já passou. Houve uma altura em que batemos, literalmente, no fundo, mas agora já se nota alguma retoma”.
Para Ricardo Freitas “há mais espaços comerciais a abrir na cidade, menos lojas fechadas, e o aumento do turismo tem levado muita gente a investir nesta área”.
Por outro lado, o empresário observa “que é necessário que surja mais investimento privado nesta ilha. Há o hábito de se dizer que o Faial parou no tempo, mas poucos parecem dispostos a mudar o cenário”, entende.
Neste contexto, Ricardo Freitas refere ainda, que “nota-se mais movimento nas ruas, sobretudo nesta altura do ano e as pessoas já não se retraem tanto, em termos de consumo”.
A este respeito acrescenta que “há dois anos atrás, por exemplo, existiam mais lojas fechadas na nossa cidade, mas agora é cada vez mais difícil encontrar um espaço com valores de renda acessíveis”.
O empresário alega também que “não surgem mais investimentos, porque os proprietários dos espaços comerciais pedem muito dinheiro pelas rendas. E muitas vezes, esse custo fixo, inviabiliza o negócio!”.
Para o sucesso do seu negócio o proprietário avança que já tem uma estratégia bem definida que passa acima de tudo pela divulgação da loja nos principais pontos turísticos.
“Para já, temos de apostar na publicidade. Distribuir panfletos com informação da loja pelos principais pontos de interesse turístico e pelos operadores turísticos”.
Para além da distribuição de panfletos, Ricardo Freitas diz querer aproveitar o investimento feito nas suas viaturas clássicas para promover a Azores Hot Rod.
“Vou estacionar as minhas viaturas estrategicamente ao longo da cidade, para captar a atenção das pessoas para o negócio. Temos de levar o cliente a procurar o nosso estabelecimento, em vez de aguardar apenas que ele entre pela porta dentro”, conclui.

 

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