Governo acusa PSD de usar crise na Venezuela para fins político-partidários

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O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas acusou hoje o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel de usar a situação dos portugueses na Venezuela “para fins político-partidários”, elencando vários apoios que o Executivo tem disponibilizado desde 2015.

José Luís Carneiro respondia assim ao cabeça-de-lista do PSD às europeias, que na quinta-feira desafiou o Governo a esclarecer se há portugueses entre os “3,5 milhões de refugiados” que deixaram a Venezuela, acusando o executivo de usar uma “diplomacia de pantufas” nesta matéria.

“Quero responder a Paulo Rangel com perguntas: onde estava quando o Estado decidiu não cobrar emolumentos consulares, num apoio que vale mais de 12 milhões de euros, onde estava quando desde 2017 o Estado português começou a enviar medicamentos, totalizando mais de 500 quilos até hoje, onde estava quando foi entregando apoios sociais a idosos carenciados, num montante superior a 750 mil euros, e de apoio ao associativismo superior a 100 mil euros”, questionou José Luís Carneiro.

Em declarações à Lusa, o secretário de Estado devolveu as críticas feitas por Rangel e disse que a situação dos portugueses na Venezuela “é um tema muito sensível e relevante, e não se compadece com tentativas de instrumentalização político-partidária numa época eleitoral”.

Para o governante, Paulo Rangel, “em detrimento de utilizar para fins eleitorais um tema tão sensível da sociedade portuguesa e querer utilizar para fins eleitorais um tema que exige grande compromisso e sentido de Estado, devia preocupar-se em fazer chegar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) os casos de necessidade identificados na deslocação que teve agora, ao fim de quatro anos, à fronteira com a Venezuela, para o MNE poder prestar o apoio àqueles que diz ter encontrado na deslocação que fez”.

Na lista de apoios dados aos portugueses na Venezuela, José Luís Carneiro questionou “onde estava Paulo Rangel” quando foram mobilizados meios das conservatórias portuguesas para garantir a nacionalidade portuguesa a 11 mil lusodescendentes, quando foram visitados 23 estados da Venezuela, quando foram apoiados 200 indocumentados na Madeira e quando o Instituto do Emprego e Formação Profissional encontrou emprego para 500 cidadãos e requalificou profissionalmente mais de 1.200 pessoas.

Questionado sobre quantos portugueses se encontram numa situação de “refugiados”, Carneiro respondeu que o Governo “não costuma utilizar essa linguagem” e precisou que há 5.450 portugueses que saíram da Venezuela desde 2015 e procuraram ajuda nas embaixadas portuguesas nos países vizinhos.

“Há 5.450 cidadãos que se dirigiram aos postos consulares desde 2015 no seguimento do agravamento da situação económica, social e humanitária na Venezuela e, relativamente aos casos identificados como de necessidade, foram devidamente encaminhados para a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e tem vindo a ser prestada uma retaguarda de apoio”, apontou o governante.

Nos últimos quatro anos, houve 4.168 inscrições consulares de portugueses vindos da Venezuela para o Panamá, a que se somam 500 na Argentina, 374 no Chile, 205 na Colômbia, 61 no Uruguai e 20 no Peru, não havendo, no Brasil, inscrições de portugueses nestas circunstâncias, elencou José Luís Carneiro.

Na quinta-feira, Paulo Rangel, que esteve recentemente na fronteira da Colômbia com a Venezuela, pediu ao Governo que, se estes refugiados existirem, “os vá buscar ao Peru, ao Brasil e à Colômbia e lhes dê condições de dignidade em Portugal”.

“A forma como este Governo tratou a questão da Venezuela é o que chamo de diplomacia de pantufas ou uma política de veludo”, acusou, atribuindo esta atitude a anteriores “cumplicidades e intimidades” com este país.

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