GPPS/Açores alerta para “incongruências, gralhas e omissões” nos dados mais recentes do Serviço Regional de Estatística

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Através de um requerimento entregue na passada quinta-feira no Parlamento Açoriano, o Grupo Parlamentar do PS/Açores pretende que o Governo esclareça as alterações feitas nos dados estatísticos divulgados pelo Serviço Regional, que apresenta “incongruências, gralhas e omissões”, que põem em causa a “credibilidade e fiabilidade do Serviço Regional de Estatística dos Açores”.

José Ávila, explica que a iniciativa do PS/Açores pretende esclarecer “porque é que as estatísticas regionais passaram a ser divulgadas sem a comparação com as outras regiões do país e com a média nacional”, como se verificou com o Destaque do Inquérito ao Emprego referente ao ano de 2020, publicado a 10 de fevereiro deste ano, pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).

Tendo em conta que também o Boletim Trimestral do SREA, “que é realizado há 80 trimestres”, deixou de ter, na edição publicada a 15 de fevereiro, “a comparação habitual dos diversos indicadores com a média do país e a análise anual que era feita por se tratar do último trimestre”, os deputados pretendem conhecer as razões que levaram a esta alteração de procedimentos.

O deputado manifesta, ainda, a preocupação do PS/Açores em relação a “múltiplas divergências, plasmadas no último Boletim trimestral e que dizem respeito a setores fundamentais da economia dos Açores”, nomeadamente quanto à taxa homóloga da inflação para o mês de dezembro, em que é de -2,0% na página 1 e -0,18% na página 7. Em relação à produção de leite para consumo, uma vez é referida uma diminuição de 1,1% (página 1) e outra vez de quase 5 vezes mais, -5,3% (como está no texto da página 8).

As dúvidas quanto aos valores corretos também se colocam quanto à produção de queijo, ora referida com uma diminuição de 10,4% ora de -4,7%. Quanto à saída de carne de bovino, que não se percebe se aumentou 12,5% ou 8,9%. No indicador “levantamentos + pagamentos internacionais” os valores também variam entre -44,8% e 96,7%, ou seja, mais do dobro. Sobre o Indicador do Consumo Privado (ICP), o Boletim Trimestral refere um decréscimo homólogo de 1,4, referente ao mês de dezembro, mas no próprio destaque desse indicador, não se refere “decréscimo”, mas sim “acréscimo de 1,4%”.

“Quais destes valores são os corretos? É um esclarecimento que se impõe”, sublinha José Ávila, considerando “que o Serviço Regional de Estatística dos Açores tem como missão produzir e divulgar informação estatística oficial de qualidade” e que “as estatísticas oficiais são consideradas um bem público, devendo satisfazer as necessidades dos utilizadores de forma eficiente e a sua disponibilização deve ser efetuada de forma integrada e objetiva”.

O deputado destaca, ainda que, “de acordo com os princípios do Código de Conduta das Estatísticas Europeias, as estatísticas oficiais devem ser precisas, fiáveis, consistentes e comparáveis entre regiões e países” e que “as estatísticas oficiais devem ser divulgadas de um modo adequado e conveniente e apresentadas de forma clara e compreensível para o utilizador comum”.

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