Haja Saúde ou Saúdinha para todos?!

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Não, não pretendo dissecar as virtudes de qualquer tipo de saudação. O que está em causa é mesmo o modelo, a abrangência e a sustentabilidade no Sistema Regional de Saúde (SRS) e mesmo do Sistema Nacional de Saúde (SNS).
Julgo não estar longe da realidade se disser que a maioria de nós, a ter que decidir onde gastar o dinheiro dos nossos impostos, aplicá-lo-íamos sobretudo em três vertentes: saúde, justiça e educação.
Também não estarei errado se disser que vivemos num país que é maioritariamente democrata e que nenhum de nós pretende erradicar o estado social.
Agora, e no que diz respeito à saúde, é urgente saber e assumir o que é que o SRS e mesmo o SNS podem pagar. Não podemos continuar a tratar determinadas patologias com centenas de milhar de euros num determinado estabelecimento de saúde e o mesmo não ser possível noutro, dentro do mesmo sistema.
O que acontece é que não há uma uniformidade nos cuidados de saúde. Para um mesmo diagnóstico há múltiplas abordagens terapêuticas. Numa mesma instituição, para um mesmo diagnóstico o tratamento difere consoante o prescritor. Ora, esta variância de abordagens acaba por ter um enorme impacto financeiro no orçamento da saúde.
Há diversas ferramentas que deveriam regular estas abordagens, nomeadamente o Formulário Hospitalar Nacional do Medicamento (FHNM) ou a implementação de protocolos regionais por exemplo.
E o que é este FHNM? Não é nada mais, nada menos, que um manual compilado por um colégio de especialistas diversos (médicos, farmacêuticos, académicos) que define as abordagens terapêuticasque os hospitais nacionais devem poder disponibilizar a quem a eles recorra. Da mesma maneira, os protocolos servem para uniformizar cuidados, para um mesmo diagnóstico há a mesma terapêutica.Exceptuando especificidades do quadro clínico, um doente na Horta com um diagnóstico semelhante a um em Ponta Delgada, deveria ter ao seu dispor o mesmo tratamento.
Não podemos disponibilizar na Horta um tratamento de ponta, e o mesmo não ser possível a um doente em Angra porque a Comissão de Farmácia e Terapêutica de lá assim não entende. E coloco nestes termos, porque o exacto oposto também pode acontecer.
Logo, não posso comprometer verbas públicas em tratamentos de largos milhares de euros num local, e dentro do mesmo sistema, num outro sítio, não ter verbas para exames de rotina.
Esta uniformização na abordagem terapêutica permite diminuir riscos de perda de eficácia das armas terapêuticas que temos à disposição actualmente e ao mesmo tempo dar uma certeza de que nos é disponibilizada de forma igualitária o melhor tratamento que este sistema comum suporta.
Não defendo que se deixem pessoas à sua sorte! Mas não têm que haver maniqueísmos quando se trata de observar de forma racional os meios de que dispomos e permitir o tal acesso igualitário a todos. Ou então assumimos que determinado estabelecimento de saúde tem mais margem de manobra para assumir determinados tratamentos que outros não conseguem assumir.
Eu sou terminantemente contra esse tipo de acaso, dessa dependência de sensibilidades. Sou antes pela transparência, e pela igualdade de tratamento naquilo que concerne ao usufruto de meios para os quais todos contribuíram.

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