Editorial

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O setor da comunicação social sofreu, nos últimos anos, profundas alterações. Para além de uma maior oferta no que diz respeito à formação académica nesta área, que hoje em dia conjuga comunicação social com marketing, assessoria e informação, entre outros, os profissionais do setor alteraram o seu perfil.
Se há uns anos a esta parte poucos eram os jornalistas formados a exercer funções, a verdade é que hoje em dia são imensos os profissionais de comunicação que existem. Todavia, e apesar de defender que não é o canudo que faz o bom profissional, tem surgido inúmeros curiosos que, por terem um telemóvel XPTO, ou mesmo uma câmara jeitosa, se julgam jornalistas e que, aos poucos, matam o nosso trabalho.
Isto é assim em todo o lado. O tal cidadão-jornalista de que se falava há 5 anos atrás, hoje é uma realidade que ameaça quem vive e sobrevive com jornalismo.
As redações estão cada vez mais reduzidas, não há dinheiro para sustentar jornais, sobretudo em terras pequenas em que o que ainda predomina é este jornalismo de trincheira. Em que todos se conhecem, em que há uma relação próxima entre jornalista, leitor e fonte.
É com pena que constato isso, e sinceramente, gostaria de ver esta situação alterar-se, mas penso que, enquanto as pessoas não pensarem o que querem ler, este fenómeno só tenderá a agudizar-se.
Quando esta coisa do on line começou, Tribuna das Ilhas tentou logo estar a par, modernizar-se, criar a sua página, divulgar as suas notícias nestes meios. Depois surgiram as redes sociais e lá fomos nós, seguir a tendência. Quer queiramos quer não, o on line e o facebook, o instagram ou o twitter são canais privilegiados para se chegar aos leitores.
Agora não posso deixar de manifestar a minha tristeza quando vejo que no on line somos lidos mais de 5000 vezes por dia. Sim! Acedem ao nosso site mais de 5000 pessoas por dia! É muita gente! As notícias do Tribuna são partilhadas em catadupa no Facebook (e desde já agradecemos as partilhas) quer pelo cidadão comum, quer por partidos políticos ou mesmo outros “jornalistas” como se fossem suas… É sinal de que até sabemos fazer as coisas! É sinal de que somos um OCS com provas dadas e credível! É sinal de que ter uma redação profissional, que custa dinheiro, se reflete na qualidade do trabalho! Agora pergunto: se procedem assim nas redes sociais, porque não compram o jornal? Porque não subscrevem uma assinatura?
Para continuarmos a exercer o nosso trabalho precisamos de fundos. De sustentabilidade financeira, de pagar a quem aqui trabalha e que, desenganem-se os iludidos, não ganham mundos e fundos. Aliás, somos das profissões mais mal pagas do país.
Fica aqui, de coração aberto, um pedido de colaboração. Assinem o nosso jornal. Custa pouco mais que um café por semana!
Receio que sem ajuda corremos o risco de num futuro muito próximo ver morrer a Comunicação Social no Faial. Logo no Faial? A terra que viu nascer os grandes nomes da imprensa regional e nacional?!
Conforme escrevi já neste espaço em setembro passado quando assumi as funções de diretora do Tribuna das Ilhas, este jornal não é meu, não é de quem aqui trabalha. É de todos. É do Faial, é da nossa ilha.
Gostaríamos de potenciar o nosso nome “Tribuna das Ilhas” e chegar ao Triângulo mas para isso são precisos meios e recursos financeiros, o que escasseia.
Sabemos que os tempos são de contenção e que para muitas pessoas subscrever uma assinatura é algo acessório no imenso mar de contas que tem para pagar… Resta-me apelar ao bom senso de quem ler estas linhas, e perdoem-me porque hoje me alonguei. Queremos continuar a fazer um trabalho de destaque, um trabalho que é falado pelo mundo fora, a chegar cada vez a mais pessoas.

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