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Hipocrisia na ampliação da pista do Aeroporto da Horta

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Os trabalhos da Comissão de Economia da Assembleia Regional sobre a Petição subscrita por dois milhares e meio de pessoas que defendem a ampliação da pista do aeroporto da Horta trouxeram novamente à ribalta informativa esta importante questão.
As declarações que foram prestadas por vários responsáveis e políticos justificam este meu regresso ao tema.
Todos eles disseram genericamente as mesmas coisas e, também por isso, lamentavelmente, tudo tenderá a continuar como estava. Mas não fico com a minha consciência de cidadão e de faialense tranquila se não deixar aqui escrito o que me vai na alma, quando vejo o espetáculo de quem, numa questão estrutural para o nosso futuro, infelizmente, não é capaz de colocar os superiores interesses das pessoas acima de tudo, viabilizando e apoiando uma solução política para aquele investimento.
De que serve dizer que se defende a ampliação da pista do aeroporto da Horta e, logo a seguir, acrescentar que o investimento deve ser feito pelo Governo da República quando este e todos os anteriores já disseram que a não faziam?
De que serve dizer que se defende a ampliação da pista do aeroporto da Horta e, logo a seguir, acrescentar algo que a anula: o investimento devia ter sido contemplado no processo de privatização da ANA?
Como compreender que sejam representantes das instituições desta ilha, que defenderam e defendem a ampliação da pista, a levantar, eles próprios, ao mesmo tempo, dúvidas e interrogações que, na prática, anulam a defesa que dizem fazer daquele investimento?
A propósito daquela Petição, vejo num dia as declarações prestadas à Comunicação Social pelos representantes do Faial e o cenário foi este: cada um a falar por si.
No dia seguinte, a propósito de similar petição sobre a pista do Pico, vejo os representantes e as instituições daquela ilha unidos na mensagem, unidos nos argumentos, unidos até na postura para a comunicação social.
Por isso, não posso deixar de me indignar e de me revoltar.
De me indignar contra aqueles que aqui se recusam a assumir, por servilismo partidário, que a melhor e talvez mesmo única solução para aquele investimento passa necessariamente pelo envolvimento e liderança do Governo Regional dos Açores. Quando um Governo dos Açores assumir a importância estruturante da ampliação da pista do aeroporto da Horta, estarão criadas condições completamente diferentes para as parcerias nacionais, europeias e empresariais que se revelem necessárias à concretização desse objetivo.
Defender a ampliação do aeroporto da Horta e recusar este envolvimento do Governo Regional (quando ele já aconteceu efetivamente em 2009 e 2010 e que ficou plasmado no Plano e Orçamento da Região daqueles anos) com a desculpa de que a obra é da responsabilidade do Governo da República é uma hipocrisia sem limites. Porque é defender algo que já se sabe que não se irá concretizar pois PSD e CDS, no Governo da República já a recusaram e agora PS, PCP e BE, apoiam um Governo que também a recusa. Para além de, com essa justificação, se querer passar uma imensa esponja sobre tanto que nesta região o Governo Regional já fez em áreas da competência direta da República.
Por outro lado, continuar a justificar a não realização do investimento público com a desculpa de que ele deveria ter sido incluído no processo de privatização da ANA é um embuste e uma mistificação. Desde logo, porque a ANA, mesmo quando era pública, sempre recusou assumir esse investimento, não o considerando prioritário nem rentável. Mas assumiu sempre a sua disponibilidade para eventuais parcerias naquele investimento. Ora, a ANA, agora privada, diz exatamente o mesmo.
Para além disso, a privatização da ANA já aconteceu. Continuar a usar isso, que está feito e é um dado inalterável, para justificar posições atuais é uma desculpa esfarrapada, para além de ser uma mistificação, pois qualquer pessoa minimamente informada sabe que a eventual inclusão da pista da Horta na privatização da ANA teria sempre os seus encargos assacados ao Estado.
Somos, portanto, vítimas da hipocrisia de uns quantos que defendem simultaneamente uma coisa e a sua impossibilidade de concretização, mais interessados em servir outros que não as populações do Faial.
Estamos já a pagar a pesada fatura dessa incompreensível postura.
E o futuro adivinha-se bem pior, porque estamos a ser ultrapassados por todos os lados sem que quem nos lidera levante um dedo e diga basta!

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