Histórias de vida: Jorge Gonçalves

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“Foi necessária a mobilização de todas as forças vivas da ilha para que se iniciasse a construção de um Hospital de nível regional”

Nascido em 1934, na ilha do Faial, desde cedo que Jorge Gonçalves se interessou pela Medicina. Bastou um pequeno empurrão do avô, por sua vez interessado em voltar a ter um médico na família, para decidir rumar à Faculdade de Medicina da Universidade Clássica de Lisboa. A experiência em Angola ditou a sua opção pela especialidade de Cirurgia.

Ainda o aroma dos cravos da Revolução perfumava as ruas da Capital quando recebeu um convite do Governador Civil da Horta para regressar a casa e aqui exercer a sua profissão.

Desempenhou um papel essencial na instalação e organização do novo Hospital da Horta, potenciado não apenas pelas suas competências técnicas mas também pelo seu inato sentido cívico e de comprometimento para com a sua terra. Estas duas últimas características levaram-no a um percurso de vida pública além da medicina marcado, por exemplo, pela presidência da Assembleia Municipal da Horta e do Conselho de Ilha do Faial, e também pela sua dedicação a algumas associações da ilha, como o Clube de Ténis do Faial, o Rotary Club da Horta ou o Núcleo Cultural da Horta.

Tribuna das Ilhas (TI) – O Dr. Jorge Gonçalves foi um médico de referência no Hospital da Horta. Como e quando nasceu a sua vocação para a Medicina?
Jorge Gonçalves (JG) – Não foi propriamente uma vocação, mas desde muito novo interessei-me pela história da Medicina tendo devorado, como leitor compulsivo, numerosas biografias dos grandes mestres. Foi, porém, necessário um empurrão de meu avô materno, Jorge Avelar, que gostaria de ter um seguidor de dois esculápios antepassados que exerceram na Ribeira Grande e na Horta.
TI – Especializou-se como cirurgião. Porquê essa especialidade?
JG – Regressado de Angola, onde cumprira uma comissão como médico de uma companhia de Caçadores, iniciei o Internato Geral nos Hospitais Civis de Lisboa, onde tive ocasião de colaborar e aprender com grandes cirurgiões como Leopoldo Laires, Viana Barreto, António Galhordas ou Balcão Reis, e interessar-me por uma especialidade na altura muito abrangente, interventiva e de resultados objetivos, o que me levou a concorrer ao Internato Complementar de Cirurgia Geral em que um banco obrigatório de 24 horas por semana, na Urgência do Hospital de S. José, nos permitia uma prática operatória intensiva, com grande incremento curricular.

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