Histórias de Vida: Virgínia Vieira

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“Nas freguesias rurais os pais confiavam totalmente no professor”

Hoje com 80 anos, dos quais mais de 20 passados já na reforma, Virgínia Vieira continua a ser bem recebida na freguesia de Pedro Miguel, que sente como sua, apesar de lá não ter nascido nem vivido. Foram 30 anos a ensinar meninos e meninas, em escolas inicialmente improvisadas e sem condições. Foram três décadas a ver crescer gente, a ver crescer uma comunidade, a ser engrenagem ativa de uma freguesia em mudança.

Ao Tribuna das Ilhas, recorda a sua experiência como professora em tempos em que o ensino tinha uma carga diferente, e o pedagogo era visto como um pilar da sociedade. A passagem pelo Ultramar e a participação na vida política da ilha são outros dos temas abordados nesta entrevista.

Tribuna das Ilhas (TI) – A professora Virgínia Vieira foi uma docente que marcou várias gerações da freguesia de Pedro Miguel. Como nasceu a sua vocação para o ensino?
Virgínia Vieira (VV) –Sempre quis ser professora, profissão que me fascinou desde muito nova. Recordo que a partir do meu 4º ano do Liceu (hoje 8º), reunia as crianças da vizinhança nas férias do verão, as chamadas férias grandes. Sempre tive o apoio da minha mãe pois deixava que eu ocupasse a mesa da cozinha, que era grande, para aí reunir os “meus alunos “, com a condição de acabar a escola à hora do almoço. Ensinava as primeiras letras, aos mais velhos fazia ditados e contas. Esses alunos andam por aí, às vezes encontro-os e falamos disso.

TI – Como foi o seu percurso profissional como professora do ensino primário?
VV – Foi fácil, nunca tive dificuldade na colocação pois tive a melhor nota de curso, de maneira que logo no primeiro ano fiquei no Faial, freguesia do Salão. Era a freguesia natal do meu pai, tinha lá muitos primos e conhecidos e fui muito bem recebida. No ano seguinte resolvi concorrer a efetiva pois era mais seguro para a vida profissional e já se ganhava nas férias. Fiquei colocada na freguesia de São Caetano do Pico durante três anos que considero os melhores da minha vida profissional. Alunos estudiosos, educadíssimos, famílias muito trabalhadoras, com muitas dificuldades, mas que tudo faziam para que os filhos pudessem vir estudar para o Faial e terem uma vida melhor. Entretanto resolvi casar para acompanhar o meu marido a Angola, para onde fora mobilizado. Havia muita falta de professores por isso comecei logo a trabalhar e só terminei no final da Comissão de Serviço e desmobilização, ao fim de 28 meses. Cheguei ao Faial no mês de maio de 1966.
No início do ano letivo seguinte, fui colocada na freguesia de Pedro Miguel. Pelo meio, interrompi duas vezes para vir como professora orientadora de Estágio para a Escola Feminina da Matriz e no ano seguinte para a escola da Canada, Angústias. Ao fim de 36 anos de serviço, reformei-me, segundo a lei em vigor.

TI – Durante quantos anos foi professora em Pedro Miguel?
VV – Fui professora em Pedro Miguel durante 30 anos.

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