O Deputado da Iniciativa Liberal no Parlamento dos Açores, Nuno Barata, denunciou, esta terça-feira, que a ilha de São Miguel tenha sido “abandonada à sua sorte” até porque “as políticas do passado, e do presente, apontam para a coesão, mas deixam de fora os micaelenses”.
No âmbito de uma Sessão de Perguntas ao Governo Regional promovida pelos liberais, na sequência de contactos mantidos com diversas forças vivas da ilha maior ao longo dos últimos meses de mandato, Nuno Barata traçou o cenário da realidade micaelense, adjetivando: “o quadro é confrangedor”.
“Os Açores são a região mais pobre do País e São Miguel é a ilha mais pobre dos Açores. Na ilha grande abandonada está a maior taxa de pobreza; a maior taxa de beneficiários do RSI, sendo que dos 5 concelhos portugueses com maior percentagem de beneficiários, 4 encontram-se na ilha de São Miguel (Ribeira Grande, Lagoa, Ponta Delgada e Povoação); cerca de 100 pessoas vivem nas ruas e dessas 80 vivem em Ponta Delgada. O quadro é confrangedor. A ilha grande foi abandonada à sua sorte, durante anos e anos a fio”, criticou.
Num debate com mais de 3 horas, Nuno Barata perguntou pelo processo de construção de um novo posto de saúde na freguesia da Maia, pelo pagamento de dívidas a fornecedores do Hospital de Ponta Delgada, pela revisão dos contratos relativos aos transportes coletivos de passageiros e pelo combate às pragas que são uma ameaça à atividade económica e à sustentabilidade ambiental.
Só que as respostas não agradaram aos liberais: na Maia, tendo um terreno e o projeto oferecidos, o Governo Regional optou por gastar meio milhão de euros para comprar um terreno à Santa Casa, atrasando um investimento fundamental para melhorar a prestação de serviços de saúde a uma população de cerca de 5000 pessoas da costa Norte da ilha de São Miguel.
Perguntou-se por transportes de passageiros, o Governo Regional respondeu com a realização de estudos, ironizando Nuno Barata: “Se eu integrasse este Governo já tinha sugerido alterar o nome da Secretaria Regional os Transportes, para Secretaria Regional dos Estudos. O pior é que se gasta dinheiro a fazer estudos e depois gasta-se dinheiro na implementação de medidas que se tomam antes de ter, sequer, os resultados dos estudos”.
Das dívidas do Hospital de Ponta Delgada a fornecedores ficou a saber-se que rondam os 145 milhões, “mas enquanto os partidos da maioria aplaudem a Sra. Secretária da Saúde pela sua prestação parlamentar a criticar a herança socialista que tem em mãos, os empresários estão sem receber o seu dinheiro para poderem continuar a fornecer o Serviço Regional de Saúde”, atirou Barata.
E no que toca ao combate das pragas, dos ratos aos pombos e às rolas turcas, percebeu-se que a Região criou uma Comissão de Gestão Integrada de Pragas – Roedores, cuja última reunião ocorreu em janeiro de 2019, ou seja, ainda no tempo do último Governo socialista.
“A ilha de São Miguel foi abandonada à sua sorte. E quando aqui vem alguém suscitar o debate sobre os níveis de pobreza e os problemas sociais gravíssimos que a ilha tem, logo, alguns partidos, tentam tapar o sol com a peneira. As políticas do passado, e do presente, apontam para a coesão, mas deixam de fora os micaelenses. Só não vê, quem não quer ver”, atirou o parlamentar do IL.
Esta foi a oitava sessão de perguntas que Nuno Barata suscitou ao Governo de coligação sobre os problemas socioeconómicos das diferentes ilhas dos Açores. No próximo mês de junho, os liberais fecham o ciclo de debate sobre as ilhas, com a sessão de perguntas que resultará da visita oficial que Nuno Barata fará à ilha do Pico.












