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João XXIII e João Paulo II Papas/Santos do nosso tempo

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No Domingo, 27 de Abril, o Papa Francisco canonizou os seus predecessores João XXIII e João Paulo II, Papas/Santos, em cerimónia ocorrida em Roma, ante a presença de milhares de cristãos.

O primeiro, logo se evidenciou ao convocar o Concilio Vaticano II, quase em segredo, já que sua desejada realização vinha sendo tabu na Cúria Romana.

E depressa mostrou não ser esse Pontífice de transição como foi rotulado por sua avançada idade.

Também a comunicação social, sempre ávida de coisas extraordinárias, trouxe à baila a velha profecia de São Malaquias – Pastor e Marinheiro – por ter viajado pelo mundo inteiro, o que nos levou a avançar com algumas considerações no “Correio da Horta” de 24/10/1958, a saber:

“Não há lei alguma, julgamos, que obrigue o Chefe da Igreja a viver uma vida inteira em Roma, só porque foi a cidade de Pedro, onde morreu crucificado. 

Então Roma era a capital do Império Romano, o principal foco pagão do Mundo”.

Os tempos passaram e as coisas mudaram …

“No Mundo de hoje muitas Romas existem para a Igreja de Cristo – elas estão na Jugoslávia, na Hungria, na Russia, na China, em África, nas Américas e até nas próprias nações latino católicas.”

“… não seria de estranhar que o novo Papa viesse a sair, de vez em quando, de Roma para, com a sua presença e palavra, levar a verdade dos Evangelhos a todos os povos da Terra que ainda se negam a aceitá-la.

Viajando pelo mar ou pelo ar, seria de facto um Pastor e Marinheiro!”

E em 25/6/1963, no mesmo jornal volto ao assunto escrevendo:

“Durante os poucos anos em que chefiou a Igreja, chegou-se a falar da ida do Papa João, primeiramente ao Rio de Janeiro, depois a Munique e por último a Lourdes.

Todavia, a sua grande preocupação pelo concílio ecuménico deve ter sido o principal obstáculo a que não se concretizassem tais notícias, emanadas de origem séria.

É certo que João XXIII não se confinou ao Vaticano. Por diversas vezes desceu a Roma, percorrendo ruas, visitando doentes ou presos como Bom Pastor.”

Foi ainda de comboio ao Santuário de Loreto mas nunca saiu de Itália.

Relativamente ao Papa João Paulo II, esse sim terá sido o verdadeiro “Pastor e Marinheiro” pelas viagens sem conto pelos cinco Continentes, muito embora o pontapé de saída tenha sido dado por Paulo VI na histórica visita à Terra Santa e ao Patriarca Atenágoras, e a que se seguiras outras em especial a Bombaim e a Nova Iorque, discursando na ONU.

Para nós, foi o Papa de Fátima, pelo apreciado carinho que dedicou ao Santuário da Cova da Iria e ao milagre na Praça de São Pedro que ligou ao 3º. Segredo, e também o Papa dos Açores, o único que até hoje veio às nossas ilhas.

A propósito escrevemos em “O Telégrafo” de 7/2/1991, na nossa habitual, Meia Coluna:

“Também gostava que o Papa João Paulo II fosse à minha IIha!. 

E passasse pelos Cedros e visse a Coroa Real.

Ou descesse à Praia de Santo Cristo, venerando Imagem que já atendeu à fé faialense em momento de grande angústia. 

Ou melhor ainda, desse a volta à ilha para que todos os meus patrícios pudessem vê-lo bem de perto.

Da mesma forma gostaríamos que fosse ao Pico e entrasse nesse museu a perpetuar destemidos baleeiras.

E que andasse também por São Jorge e Graciosas; pelas Flores e Corvo, e ainda por Santa Maria.

Mas pelo pouco tempo de permanência, mesmo assim inesquecível graça, aceitamos que esta visita muito especial, se fique apenas pela Terceira e S.Miguel.

A primeira, por ser, como Sede da Diocese, mesmo primeira, onde estará naturalmente mais horas.

A segunda, por lá viver metade da população destas ilhas, É certo que, mesmo assim, ficará a conhecer a epopeia da gente açoriana.

Mas poderia ficar também a conhecer melhor a ideia do Arquipélago.

Para tanto, bastaria aumentar meia hora à visita, ou sair um pouco mais cedo das Lajes.

Isto é, para na viagem para Ponta Delgada, sobrevoar a Graciosa e São Jorge e o Canal Faial-Pico.

Se tal fosse possível, com certeza que seria meia centena de milhar de açorianos a rezar também para que essa tarde fosse mesmo primaveril.

E estames em crer que ninguém deixaria de convictamente, exclamar:

Eu vi o papa, acenando da janelinha do avião.

Mesmo que o não tivesse visto …

 

* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico

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