JOSÉ NOIA VIEIRA (1893-1974) Tesoureiro e benemérito

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Nascido no lugar da Fazenda, concelho e freguesia de Lajes das Flores a 15 de Abril de 1893, era filho de João Maria Noia, que era natural de Santa Cruz das Flores, e de Maria do Rosário Vieira, natural da Fazenda das Lajes, onde o casal fixara residência com habitação junto ao fontanário das Eiras.

Depois de concluir a Instrução Primária na sua terra natal, fez o Ensino Secundário, possivelmente no Liceu de Angra do Heroísmo ou talvez da Horta, como aluno externo, tendo regressado às Flores onde trabalhou como praticante e mais tarde interinamente como Tesoureiro da Fazenda Pública de Lajes das Flores. Em Maio de 1929 já era proposto e nessa categoria chefiava a Tesouraria, na falta do respectivo titular. 

Em Março de 1932 deslocou-se à cidade da Horta onde foi submetido a concurso para Tesoureiro da Fazenda Pública de 3.ª classe, concurso em que ficou “aprovado e bem classificado”, conforme noticia o jornal “As Flores” de 5-4-1932. Alguns meses depois integrava os quadros da Direcção-Geral do Tesouro, com posse dada pelo Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lajes das Flores, José Jacinto Mendonça Flores, de Santa Cruz das Flores. 

Como funcionário, era eficiente e honesto na execução das responsabilidades que profissionalmente tinha, transmitindo aos seus funcionários os ensinamentos adequados para uma boa gestão dos serviços do Tesouro que estavam a seu cargo. Deste modo, pelos seus serviços estagiaram vários florentinos, com vista a serem contratados como propostos ou ajudantes de tesouraria.  

Em 19 de Novembro de 1919, casou com Maria de Freitas Mendonça*, professora primária, em primeiras núpcias de ambos, e, em segundas núpcias, com Maria do Céu Azevedo, ambas natural da freguesia da Fazenda. Depois do seu casamento, passou a sua residência para a vila das Lajes, onde adquiriu habitação junto do lugar da Passagem, hoje Ladeira José Noia Vieira.  

De feitio extremamente introvertido, era, contudo, muito religioso mantendo com os padres e com os amigos mais próximos excelente relacionamento. 

Foi sempre um benemérito de grande generosidade nas suas contribuições para as igrejas florentinas, tendo-lhes feito várias doações, nomeadamente de imagens e de sinos, e ajudando também a custear despesas de conservação. Geralmente averbava o seu nome e a data da sua doação nos equipamentos religiosas que oferecia, pelo que podemos encontrar imagens suas nas igrejas da freguesia da Fazenda, da vila das Lajes, e até na da Fazenda de Santa Cruz, onde, para além de um sino, há pelo menos uma imagem, certamente por reconhecer as dificuldades económicas dessa localidade. É possível que outras igrejas da ilha também tenham recebido ofertas suas.  

 Já na situação de aposentado, faleceu, sem deixar descendência, em 12 de Julho de 1970, deixando viúva Maria do Céu Azevedo.

 

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