Lembrando Alberto Romão Madruga da Costa

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Quando recebi a notícia de que o Alberto se encontrava, em estado crítico em Lisboa, sempre pensei que ele iria recuperar e iria vê-lo no regresso ao Faial, com aquele sorriso afetuoso e compreensivo que nos fazia sentir bem com o mundo. Depois… depois chegou-me a triste informação que me encheu de mágoa. 

As pessoas boas e úteis não deviam desaparecer prematuramente, quando tinham ainda tanto para dar aos outros. Ele estava a preparar-se para presidir à Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia local, que iria reunir-se no dia  do seu falecimento e, como sempre, disposto a dar o seu melhor contributo para o bem da ilha que amava acima de tudo.

Na verdade, há alguns anos, quando o Alberto cessou as funções nos altos cargos que desempenhou, repetida e competentemente, cheguei a sugerir, entre amigos, que se devia homenagear formalmente este nosso ilustre conterrâneo, manifestando-lhe o nosso reconhecimento e estima pelos numerosos atos, profissionais e políticos, que praticou com empenho, inteligência e competência.

 Sendo mais velho 4 anos do que ele, não convivi na juventude com o Romão, como era então conhecido. Encontrei-o casualmente, mais tarde, em Lisboa, nos anos 60, quando ele frequentava a faculdade de Letras e eu trabalhava na C.G.D.

Regressando do serviço militar, no então Ultramar, chegou ao Faial e ao B.P.A onde eu já me encontrava e fui encarregado de dar-lhe as primeiras luzes profissionais. Ao fim de 3 dias, disse ao gerente que o novo funcionário podia passar para outra secção, pois daquela já sabia tudo. Aí nasceu a minha grande admiração pelo Alberto, face aos conhecimentos, formação moral e capacidade de trabalho, aliados ao bom senso, afetividade e tolerância sempre demonstrados dentro e fora do serviço.

Pouco tempo depois foi votado pelos colegas para Delegado Sindical do Banco e quando um dia me convidaram para presidir à mesa de um comício politico, a realizar no Liceu da Horta, nos primórdios da nossa democracia, declinei essa honra, mas recomendei o Alberto como sendo a pessoa mais capaz que eu conhecia para o efeito.

A partir daí, com todo o mérito, subiu na hierarquia politica a todos os níveis e acompanhei com prazer essa evolução, apreciando, confesso, com certa devoção, o discurso, os escritos e o seu comportamento de cidadão responsável, íntegro e moralmente irrepreensível.

 Militámos no mesmo partido, tendo inúmeras oportunidades de constatar o discernimento com que decidia politicamente, sempre moderado e conciliatório, sem ofender, mas com vigor quando necessário. Como muitos colegas gostavam de alcunhá-lo, foi a “consciência do partido” local e regional, pela forma elevada e sensata como encarava a política, com simplicidade e modéstia que nos fazia esquecer o deputado, o presidente do grupo parlamentar, o Secretário Regional, o presidente da Assembleia Legislativa Regional, o presidente do Governo Regional ou o membro do Conselho de Estado.

Tratava o seu semelhante com respeito e afeto. Sem pretensões, foi um verdadeiro democrata.            

Bem mereceu a bandeira dos Açores sobre o seu féretro, pelo amor e empenho que dedicou ao arquipélago.

 Ao ter conhecimento do luto decretado em sua honra pelo Governo Regional e o voto de pesar expresso na Assembleia da República, senti-me bem com o mundo e ultrapassei o meu desgosto.   

       

Até breve companheiro e amigo,                                                                               

   Horta, 30 de Novembro de 2014

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