Lobbies e Aeroportos

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Já escrevi diversos artigos sobre o aeroporto da Horta, com uma série de dados que demonstram a sua importância para os Açores, para o Triângulo e para o Faial. Pensava que tão depressa não volta a escrever sobre este tema e muito menos dar azo a comparações entre aeroportos do canal, mas vejo-me impelido a fazê-lo.
Vem este artigo a propósito de uma corrente que prolifera por alguns comentadores, jornalistas e opinião pública no apoio ao Aeroporto do Pico em detrimento do da Horta. Este facto a meu ver deve-se sobretudo a uma comunicação mais eficiente na divulgação de dados para a opinião pública dos “defensores” do Aeroporto do Pico. Enquanto no Faial, parece que o principal objetivo é denegrir a SATA, no outro lado do canal tenta-se puxar pelos dados positivos, fazendo lobby dos mesmos em diversos órgãos de comunicação social. Curiosa e inteligentemente, fazem-no, utilizando dados que a própria SATA refere que não são os que usa (os do SREA), mas neste caso sem levantar qualquer problema.
Um dos exemplos é a apresentação das taxas de crescimento no Inverno IATA 2017/2018, quando comparando com o anterior. É referido (e bem) que a ilha do Pico liderou o crescimento do movimento de passageiros aéreos com 13,1%, acima da média regional de 7,6% e bem acima do crescimento do Faial.
Se o facto é obviamente positivo, importa também referir o ponto de partida e de que valores estamos a falar concretamente. Como também se analisarmos todo o ano de 2017, verificamos que o Aeroporto do Pico foi o que teve o pior crescimento.
É preciso saber o que se está a comparar para interpretar percentagens. Perdoem-me o exagero, mas se destino A tem 1000 e cresce para 1010, temos um crescimento de 1%. Quando o destino B tem 10 e aumenta para 15, temos um crescimento de 50%. Efetivamente o destino B teve um crescimento bastante positivo, mas não me venham é dizer que está melhor que o A.
Importa referir que no Inverno IATA o nº de passageiros no Aeroporto do Pico foi de 30293 e no Aeroporto da Horta 59203 e que se olharmos apenas para as viagens para Lisboa, o Aeroporto da Pico alcançou 7879 passageiros e o Aeroporto da Horta obteve mais que o dobro com 18664. Mas o mais importante a salientar, é que mesmo com o dobro dos lugares disponíveis para Lisboa, o Aeroporto da Horta obtém uma taxa de ocupação no Inverno IATA consideravelmente superior ao Pico, cerca de 67% e 58%, respetivamente.
Outro dos argumentos referido insistentemente é que muitos dos passageiros nos voos para o Faial são para o Pico. Obviamente que tal acontece (como também o inverso), mas um dado que nos permite ver a apetência destas duas belas ilhas para os turistas é o número de hóspedes. E nesse parâmetro verificamos que no ano de 2017 o Faial teve 67787 e o Pico 41421.
Resumindo, o Pico e o Faial estão a crescer. O Pico como parte mais de trás, tem momentos de crescimento mais acentuados, apesar de ter todos os parâmetros inferiores ao Faial, o que se compreende se pensarmos nas infraestruturas instaladas nas 2 ilhas.
Ambas as ilhas tem espaço para crescer, ambas necessitam de promoção na época baixa e de melhores acessibilidades na época alta, ambas necessitam de melhoramentos nos seus aeroportos, ambos complementam-se e beneficiam-se mutuamente. Não faz é sentido dizer que o Triângulo, com cada vez mais turistas, está melhor servido tirando voos de uma ilha para colocar noutra. É porque em julho e agosto de 2015 o Triangulo tinha 16 ligações semanais com Lisboa (14 do Faial e 2 do Pico) em 2018 vai ter 14 ligações (10 pelo Faial e 4 pelo Pico).
Concordo com o aumento de voos no Pico, mas que o mesmo não aconteça prejudicando o Faial e consequentemente o Triângulo.

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