Maioridade

0
3

g Pois para uns a maioridade é sinal de liberdade… de dar o grito do Ipiranga e começar uma vida.
Mas hoje, 21 de maio, passados que são 18 anos em que entrei pela primeira vez numa redação, do saudoso Correio da Horta, o sentimento não é esse…
Há 18 anos atrás, na meninice dos meus 17 anos de idade, subia as escadas da Comendador Ernesto Rebelo sem saber muito bem o que me esperava.
Fui recebida por dois grandes senhores do panorama jornalístico regional: o professor Ruben Rodrigues, a quem agradecerei sempre todos os ensinamentos que me transmitiu e o Helder Escobar, o meu “paizinho”, que me apresentou os meandros da paginação e do jornalismo desportivo.
Ao longo destes 18 anos muita coisa mudou. Vi tanta coisa acontecer. Maravilhei-me imensas vezes e emocionei-me outras tantas.
No Correio da Horta, há 18 anos atrás, não havia Internet. Havia um fax que cada vez que apitava “cuspia” papel num rolo. Havia um servidor da agencia Lusa (que eu consegui avariar hehehe), que todos os dias, religiosamente, nos trazia as noticias nacionais e regionais. Eu ficava fascinada com tudo aquilo.
Com saudade recordo-me a primeira vez que entrei no Parlamento açoriano. Foi numa tomada de posse de Carlos César a que Jorge Sampaio compareceu. Tão ingénua… achei aquilo o máximo. Mal sabia eu que esse mundo da política é o que é!
As visitas quase diárias do senhor Henrique Peixoto, o homem que nos deixou um legado riquíssimo de orquídeas, e que me “torrava o juízo”, mas a quem eu chamava de “meu noivo”.
A imponência do Padre Júlio da Rosa com os seus artigos históricos que me faziam viajar até aos primórdios da nossa existência…
As tardes de domingo passadas nos campos de futebol da nossa ilha a acompanhar os jogos. Algumas bem “custosas”, ou não fosse o futebol um desporto de inverno. Sofrer calada e regozijar-me em silencio com as vitórias do meu FSC… sim porque jornalista não tem clube, partido ou credo. Tretas!
Mas, aquilo que me recordo e que me deixa saudade, eram as longas tertúlias do professor Ruben. Quando me chamava ao pé dele e dizia “Maria José, este texto assim não está bem, olha e se experimentares fazer assim”. O meu orgulho ficava ferido, mas hoje sei que foram as melhores lições que podia ter recebido.
A sensação de todos os dias levar as noticias a casa das pessoas. O começar a ter a noção de que, com o meu trabalho, estava, e estou a ajudar a perpetuar, a registar a história do Faial e da Região.
Mas então, ao longo de 18 anos o que mudou? Tudo!
Mudou tudo! Desde a postura do jornalista, aos meios ao nosso dispor para levar a cabo o nosso trabalho e, sobretudo a postura dos nossos leitores. Hoje em dia tudo é facilitismo. A Internet colou-nos à cadeira e deu ao cidadão comum o poder de ser “jornalista”. Será isso bom? Na minha opinião não!
A verdade é que a profissão de jornalista está desacreditada e a culpa é nossa. Disso não tenho dúvidas. O trabalho de investigação é cada vez mais reduzido, as agencias de comunicação e os gabinetes de imprensa facilitam-nos o trabalho e impedem-nos de ser verdadeiros jornalistas. E sei que contra mim falo e que muitos colegas vão ficar indignados com estas afirmações, mas é a verdade.
É claro que o facto de sermos extremamente mal remunerados, salvo algumas raras exceções, também contribui para um desanimo e consequente condicionamento da atividade.
A ver vamos o que muda nos próximos 18 anos… Se a profissão ou se eu?!?!
Para já fica este escrito inacabado…

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO