Mais plástico e menos peixe. Explorador britânico teme pelo mar português e defende ainda mais áreas protegidas

0
9
DR
Farto de ver cada vez mais plástico e menos peixe no oceano, o veterano explorador e documentarista britânico Paul Rose defende que Portugal deve criar mais áreas marinhas protegidas.Em entrevista à agência Lusa, no domingo, na sua passagem pela conferência “Futuro do Planeta”, Paul Rose, que mergulha desde os anos 1960, afirmou que no espaço de décadas se vê “menos peixe e mais poluição”, considerando “assustador” que não haja mais zonas protegidas no espaço marítimo português, sobretudo nos Açores, “o lugar mais bonito do mundo”.

“Partir-me-ia o coração se Portugal e os Açores só decidissem protegê-las daqui a uns anos, indo atrás de toda a gente”, saudando a decisão, anunciada em fevereiro deste ano, de aumentar as zonas protegidas nos Açores em 150 mil quilómetros quadrados.

A decisão, afirma, é sinal de “liderança global” e um exemplo para o mundo inteiro, o mesmo que a sua geração e dos políticos no poder, devia dar perante os jovens, defende.

“Os líderes que temos são, muitas vezes, apenas influenciadas pelo dinheiro, e precisamos de ter respostas sobre isso”, afirma, indicando que “a ação climática inteligente tem um potencial de negócio incrível” e é esse o argumento que tem que se usar para quem diz que “os ambientalistas estão a fechar fábricas, a impedir a pesca e a prejudicar o negócio da madeira”.

Paul Rose considera que é preciso “acabar com os subsídios lesivos para a pesca intensiva e para a extração de petróleo e gás”, optando pelas fontes de energia solar, eólica e das marés.

“Este políticos não têm todos os mesmos valores que nós. Os seus valores são manter-se no poder, manter os seus colegas e partidos nos lugares certos para conseguirem dinheiro e influência e a natureza só vem no fundo da lista” das suas prioridades.

No entanto, acredita que virá uma “mudança de valores” com as novas gerações que “olham para os políticos e estão fartos, porque não veem nada a mudar”.

“Nós não mudamos se não tivermos que mudar. Somos preguiçosos, os humanos”, disse, considerando que a geração que está no poder tem “a responsabilidade de estabelecer um alto padrão” para as seguintes, para que vão na direção certa na proteção do planeta.

É a mesma proteção que gostaria de ver alargada ao território marinho português, que representa “97% do território total” e que tem “áreas incrivelmente belas”.

Paul Rose recordou que um dos membros de uma expedição aos Açores detetou ao largo da ilha das Flores um cardume gigante de peixe-porco. Foi chamar os restantes investigadores e quando voltaram ao mesmo local, algumas horas depois, viram que só restavam entranhas no fundo do mar.

“Todos mortos. Alguém apanhou o cardume com uma grande rede e em cerca de três horas, só restavam tripas e barbatanas”. Não proteger estes recursos “é uma loucura” e é assustador, afirma.

A última fronteira do oceano é, para Paul Rose, as grandes profundezas da Fossa das Marianas, onde “daria tudo” para ir e levar o Presidente norte-americano, Donald Trump.

“Acho que é o homem com o maior défice de natureza que existe. Ele não entende. A maior parte das pessoas explorou matas, parques naturais, acampou, pescou, entende a Natureza, mesmo sem ser mergulhador profissional ou conservacionista”, disse.

Pessoas como Trump e [o Presidente brasileiro] Bolsonaro não entendem e isso parte-me o coração. A minha viagem de sonho seria ir aos lugares mais belos do mundo para eles os poderem experimentar. Infelizmente, acho que teria que os trazer de volta”, afirma, entre risos.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO