Marta Dutra apresenta “De Viagem”

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“De Viagem” é o título do segundo livro de poesia de Marta Dutra, faialense, albicastrense, mas a viver em Aveiro, lançou sábado no Faial. 

 Ao Tribuna das Ilhas a poetisa revela que “esta obra retrata uma viagem à Ilha, onde a maioria dos textos foi escrita, em que se questiona e repensa em modo de diário a viagem da vida que todos nós empreendemos”. 

A escolha de vir lançar o livro no Faial é justificada com o facto de ser “aqui que me sinto em casa, ou antes, esta será sempre a minha primeira casa. Também porque o livro fala do regresso e da ausência da própria Ilha que se encontra em cada um de nós. Refiro-me à décima ilha, como em tempos o fez Onésimo Teotónio de Almeida,  que todos transportamos onde quer que estejamos”. 

João de Melo referiu no prefácio: (…) “Falei em “veemência” dramática: podia sublinhar aquela palavra e entrar no território da grande “pungência” poética deste livro de Marta Dutra. É esse o meu sentimento de leitor – também eu “de Viagem” através destes códigos existenciais onde se projectam os tais dilemas do ser e as interrogações sensíveis de todos os vivos terrenos.”

Vago Olhar, a primeira obra da poetisa ganhou o prémio nacional de poesia de Fânzeres em 2008 e foi um dos motes a esta mais recente obra se bem que “ continuei a escrever como sempre fiz” diz a autora que afirma  ter “textos distribuídos por todo o lado”.

“ Já cheguei ao ponto de estar a conduzir e ter de encostar para escrever! E escrevo no que estiver à mão. Porque é mesmo assim que surgem os textos, desta espontaneidade de ser e de sentir” – frisa. 

A apresentação do livro esteve, à semelhança da sua primeira obra, a cargo de Vitor Rui Dores, cuja recensão publicaremos na íntegra na próxima edição deste semanário. 

 “Tal como no seu livro de estreia, também neste a autora continua a questionar, em versos muito belos e envolventes, o enigma, o mistério e as contradições da condição humana” – diz Dores. 

Na sessão marcarão ainda presença Maria do Céu Brito, Ermelinda Simões e Cristina Ramos que leram alguns poemas.

Marta Dutra diz que elegeu a poesia como género literário predilecto porque “em primeiro lugar, porque é o género que brota de forma espontânea. Na poesia podemos fugir a regras e escrever o que nos sai da ponta dos dedos. E da alma. A poesia não se explica, portanto. Caberá ao leitor interpretá-la como lhe aprouver.  É esta liberdade de expressão que me apaixona.”

 Marta Dutra assume-se como uma “poetiza de alma”, porque profissionalmente é  Terapeuta em Medicina Tradicional Chinesa ,“e as duas vertentes complementam-se muito bem” – diz, acrescentando ainda que “a poesia complementa qualquer vertente! A poesia é uma forma de expressão livre que utilizo muitas vezes em jeito de autoterapia. Não escrevo para os outros lerem, por isso não tenho a preocupação do recurso estilístico e do embelezamento. Escrevo o que naturalmente vai surgindo. Raramente altero os textos.” 

Este livro surgiu por um acaso, como nos conta, quando uma amiga ceramista lhe colocou o desafio de produzir algumas peças de cerâmica para alguns dos poemas.  

“Depois disso, e por mera coincidência, aconteceu uma conversa com a responsável do Grupo Poético de Aveiro  em que tomei conhecimento do seu trabalho no Cine-Clube de Avanca, que tem uma editora – a DebatEvolution – e que o responsável Costa Valente pretendia editar poesia. Enviei-lhes estes textos e em pouco tempo tínhamos o nosso livro” – conta a autora. 

Marta Dutra disse ainda que tem muitos textos dispersos, todavia não existe ainda outra obra pensada. Minto.” Tenho uma ideia de algo que se poderá vir a concretizar, mas nada sistematizado ainda” – assume. 

 

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