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Memória e Gratidão – GOVERNADOR FREITAS PIMENTEL e CIENTISTA FREDERICO MACHADO

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Na edição de 28 de Novembro do ano findo, Mons. Júlio da Rosa passou a letra de imprensa (Tribuna das Ilhas) o que lhe ia em “nosso pensamento e na nossa alma” que era “a ideia de uma homenagem a estes dois homens que enfrentaram a maior tragédia que ocorreu na nossa ilha do Faial no século XX”.

Referia-se ao Dr. Freitas Pimentel e ao Engº. Frederico Machado e à erupção do Vulcão dos Capelinhos, incluindo naturalmente a crise sismo/vulcânica de 12 para 13 de Maio de 1958, vincando até: “A gratidão é a única vibração da alma humana, a garantia para marcar no tempo as pessoas pelo mérito e pelo sacrifício. Nada mais se lhe pode comparar”.

E, como homem de Deus que o é também, o venerado faialense sugeria a colocação de dois bustos no Farol, agora valorizado com o Centro de Interpretação do Vulcão.

Embora escusado, adiantaremos:

– Dr. António de Freitas Pimentel, ilustre florentino que escolheu a nossa ilha onde, como categorizado médico, viveu uma vida quase inteira, tendo exercido também com proficiência os cargos de presidente da Câmara e de Governador do Distrito da Horta durante anos; e tamanha a dedicação pela gente das quatro ilhas que Ministro do Interior lhe disse: e eu julgava que o senhor era meu representante?!

Do seu prestigioso consulado recordaremos a concretização de aspirações, conquanto, no caso, a memória não seja curta: Muralha da cidade, alteamento do molhe da doca, 7º. Ano do Liceu, Aeroporto, fruto duma grande política que culminou com a acção desenvolvido durante a erupção do Vulcão dos Capelinhos que só por si era mais que suficiente para justificar o busto em causa.

– Engº. Doutor Frederico de Menezes Avelino Machado, faialense não menos ilustre que preferiu iniciar sua vida profissional pela sua e nossa ilha, exercendo com reconhecida competência as funções de Director das Obras Publica, e já em regime autonómico foi com proficuidade Director do recém criado Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP).

Já era um Cientista assaz considerado, tanto em Portugal como no estrangeiro, naturalmente pelos seus vastos conhecimentos, em especial na vulcanologia, de que muito beneficiaram os universitários pois Cátedras não lhe faltaram para continuar o seu múnus, mas no ensino quando, por contingências da vida, foi para o Continente.

Foram, na verdade, dois grandes açorianos, um na Política, outro na Ciência que arriscaram sua credibilidade nessa tarde/noite fatídica: Frederico Machado que, vindo a acompanhar diariamente a evolução da temperatura no Cabeço do Fogo e quando esta atingiu subida anormal, logo aconselhou o Governador Freitas Pimentel para a urgente evacuação da freguesia da Praia do Norte; este, confiando no Cientista, não terá pensado duas vezes para dar a difícil ordem.

Estava assim escrita mais uma imorredoira página da História do Faial.

E finalizamos com outra judiciosa sentença de Monsenhor: “Ficariam essas duas esculturas dum busto a retratar a gratidão e brado para sempre dum povo mártir. Ser grato é um dever”.

 

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