Menos Desigualdade para Melhor Economia e Mais Emprego

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Participei no último Fórum de Economia Progressista que teve a contribuição do Nobel da Economia Joseph Stiglitz. O encontro teve como mote “A desigualdade: consequências para a sociedade, para a política e para as pessoas”. Existe cada vez mais uma preocupação com o aumento das desigualdades e com a falta de oportunidades. Este é, portanto, o debate mais oportuno e atual de travar, sobretudo porque, para além da desfragmentação da sociedade, é hoje claro que as desigualdades prejudicam gravemente o desempenho económico e o emprego, o que urge alterar, apresentando soluções.

Stiglitz apela a todo um sistema de valores e prioridades que se deve ambicionar: “A nossa sociedade não funcionará bem enquanto não der à maioria da população a educação para ganhar a vida, enquanto os empregadores não pagarem aos trabalhadores um salário decente, enquanto providenciar tão poucas oportunidades a ponto de tornar o povo alienado e desmotivado”. 

É com uma economia justa e a funcionar que se criam empregos e oportunidades que podem oferece novas condições de dignidade às pessoas. Por isso, Stiglitz apresenta propostas para combater o aumento das desigualdades, propondo uma “agenda para uma reforma económica” que: contenha os excessos de topo (das elites financeiras); promova uma reforma fiscal; controle a globalização criando um campo de jogo mais nivelado e acabe com o nivelamento por baixo; restaure o objetivo do pleno emprego; adote um novo pacto social; restaure o crescimento sustentável e equitativo. 

Em Portugal, um relatório recente (do banco suíço UBS) mostra que há mais 85 milionários – indivíduos com fortunas superiores a 22,4 milhões de euros – do que em 2012. Em plena crise… Este aumento significa que os 870 milionários portugueses detêm, em conjunto, 75 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 11,1% em relação a 2012. Enquanto isso, a classe média desaparece e milhões de portugueses vivem no limiar da pobreza ou abaixo. 

Em toda a Europa, 27 milhões de europeus e quase um quarto dos jovens estão fora do mercado de trabalho, por isso, para nós, Socialista Europeus, a luta contra o desemprego é a prioridade número um. A criação de emprego deve orientar tudo o que fizermos nos próximos cinco anos. “Empregos, empregos, empregos” é o foco de todo o nosso Manifesto.

Para que a sociedade gere emprego é necessário, “Impulsionar a economia”. E isso deve ter em conta que as políticas apenas orientadas para a austeridade nos prejudicam e fazem sofrer os que menos merecem, enquanto recompensam especuladores. Assim, “para relançar a economia deveremos investir num programa de re-industrialização inteligente focada na inovação, na investigação e na formação”.

Tendo em conta o papel fundamental do setor financeiro, importa definitivamente colocá-lo ao serviço de todos os cidadãos. É fundamental não tolerar a política de “sofrimento para as pessoas – milhões para os bancos”. É preciso deixar claro que “aos especuladores nunca mais será permitido jogar com a vida das pessoas e a Europa nunca mais deve voltar a gastar 1,6 milhões de milhões para salvar bancos”.

Numa marca social que não deixa ninguém para trás, devemos combater os ataques aos serviços públicos de “saúde, educação e habitação e garantir que as liberdades económicas não superam os direitos sociais”.

Importa também percebermos que sem mudarmos no plano europeu este conjunto de orientações políticas o espaço de manobra de Portugal será sempre reduzido. É por isso absolutamente fundamental mobilizar os portugueses para a Mudança na Europa para que uma verdadeira Mudança possa ocorrer em Portugal.

 

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