MUDANÇA DE CICLO

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1. Termino esta semana as funções de deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, eleito pelo círculo eleitoral do Faial.
Ao fim de quatro mandatos sucessivos regresso à minha escola e à minha profissão de professor, com a naturalidade de quem sempre encarou a participação na vida política como um serviço que se presta à comunidade de forma transitória. Com a mesma naturalidade com que há dezasseis anos saí da minha escola para exercer o cargo de deputado, regresso agora ao exercício da minha profissão docente, com o sentimento de missão cumprida e de ter dado tudo o que podia e sabia para ajudar os meus conterrâneos e contribuir para o desenvolvimento da minha ilha e dos Açores.
2. Apesar de deixar de exercer essas funções, manterei, para já com a mesma periodicidade, este espaço de opinião, correspondendo, aliás, ao convite de permanência que me foi feito pela Diretora deste Semanário que me acolheu como colaborador desde o seu nascimento.
Não foi fácil manter ao longo destes catorze anos, sem uma única falha, este espaço de opinião com nome próprio. Fi-lo sempre com a consciência de que é do debate e da partilha das opiniões que nascem as melhores soluções. Nunca me escondi no conforto dos políticos que passam sem nada deixarem escrito com receio de serem um dia confrontados com o que escreveram. E nunca hesitei em escolher sempre e primordialmente a defesa do Faial como primeira prioridade e preocupação.
3. Manterei esta minha forma de participação cívica enquanto a achar oportuna e com sentido e, também, enquanto os responsáveis do Tribuna das Ilhas assim o quiserem. Se até aqui, obviamente, muito do que escrevi era determinado pelas dinâmicas, motivações, conhecimentos e condicionalismos do cargo que exercia, a partir de agora, mudando essa circunstância, não se alterará, porém, a minha posição de defesa intransigente da ilha que me viu nascer.
Há quatro anos, na apresentação da lista que encabecei às eleições regionais, afirmei, para que não houvesse dúvidas, que “se alguma vez tivesse de escolher entre o PSD e o Faial, escolheria sempre o Faial”.
Nunca precisei de ter de fazer essa escolha. Mas, cada vez mais, na situação em que se vive hoje nos Açores, em que os sinais de divisionismo persistem e em que se agravam e crescem tendências e tentativas de centralismos a coberto das mais variadas justificações (e que são transversais nas várias forças político-partidárias), impõe-se a todos não só uma cidadania informada, mas também uma cidadania interventiva, interpeladora e condicionadora do poder político, que seja capaz de defender e promover o desenvolvimento a que todos temos direito.
Caso contrário, seremos coniventes por omissão e comodismo! E eu não quero estar nesse grupo!

31.10.2016

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