1. Os desejos da Marinha em concentrar infraestruturas em S. Miguel e que implicavam o encerramento da Estação Radionaval da Horta, eram já antigos e a eles se aliaram alguns dos Ministros da tutela. Mas a questão só evoluiu de forma assinalável quando, em 2009, o Governo dos Açores e o Ministério da Defesa assinaram um “memorando de entendimento” que, entre outras coisas, previa que a Região cedesse "uma parcela de terreno na zona de Santana, Concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, para a instalação de uma moderna central de comunicações marítimas que integrará a rede NATO”.
2. Justifica-se, agora, o Governo da República, e com alguma razão, que o não cumprimento desse acordo, que envolve a NATO, implicaria indemnizações aquela organização, incomportáveis para a atual situação financeira do País. A conclusão é uma só: o encerramento da Estação Radionaval da Horta é um fato consumado.
3. Para quem acompanhou de perto este processo depressa se tornou óbvio que a decisão de encerrar a Radionaval da Horta e de a transferir para S. Miguel não foi uma decisão alicerçada em razões técnicas claras ou de natureza estratégico-militar, mas tão só uma decisão política de modernizar instalações, concentrando numa só ilha todas as infraestruturas da Marinha.
4. Por tudo o referido, esta é mais uma que os Faialenses têm a “agradecer” a Carlos César e ao seu governo: a sua intervenção neste processo foi decisiva não só para dotar a Marinha dos terrenos que não tinha, mas também para tornar financeiramente impossível recuar, atendendo aos compromissos que nessa sequência se assumiram com a NATO.
E assim, mais uma vez, se acentua, de forma intolerável e condenável, as assimetrias entre ilhas e se promove a macrocefalia no desenvolvimento!
5. Em tempo de “vacas gordas” sucessivos governos da República, a partir do Ministro de Guterres, Ferro Rodrigues, prometeram a ampliação da pista do Aeroporto da Horta. Nenhum a concretizou e nenhum deu um passo que se visse no bom caminho.
Por cá, nesses tempos de abundância, o magnânimo Carlos César, não fez a coisa por menos: se eles, os da República, não fizerem, cá estaremos nós, o Governo Regional, para concretizar esse investimento. Como o tempo provou, essas não passaram de palavras para, em comício, enganar os faialenses.
6. Agora, que os tempos mudaram, a abundância foi algo que a outros beneficiou e que ao Faial deixou de mãos vazias. O atual governo da República já colocou uma pedra sobre o assunto da ampliação da pista do nosso Aeroporto. Atendendo às dificuldades e à chamada emergência financeira em que vive o País, podia o Ministro da Economia ter protelado ou adiado tal investimento. Mas decidiu de forma mais radical: não é para retomar.
Por cá, o governo regional que disse que ia fazer a obra, que disse que estava em negociações, que disse que o projeto estava pronto até ao final do ano 2008, que disse depois que estava a aguardar a privatização da ANA, é o mesmo governo padrasto que diz hoje estar a acompanhar a situação: isto é, nada faz nem nada se dispõe a fazer!
Discordo frontal e totalmente deste satus quo. Não me calarei, nem desistirei. A razão assistia-nos e não deixamos de a ter repentinamente, de ontem para hoje. Ampliar a pista do nosso aeroporto não é um conforto nem uma desnecessidade: é um imperativo de desenvolvimento e uma exigência de reforço das margens de segurança.
7. Por tudo isso, entendo que o futuro e a viabilização da ampliação da pista do Aeroporto da Horta passarão obrigatoriamente pelo envolvimento e pela liderança, em parceria ou não, do Governo Regional dos Açores.
Também por isso, esse deve ser um tema que não deve passar ao lado das candidaturas às próximas eleições regionais.
Do PS e de Vasco Cordeiro, já sabemos a resposta: “apoiar o Governo da República na concretização desse investimento”. Em termos práticos, isto é o mesmo que nada, pois de que serve apoiar aquilo que já se sabe que outrem garantiu não fazer?!
Do PSD e de Berta Cabral, esperamos um compromisso credível e viável, que honre o seu slogan “mãos à obra” e que signifique o relançar, de forma planeada, desse investimento, tão desejado como necessário.












