Mulher

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por: Alexandra Manes

A Organização das Nações Unidas oficializou como Dia Internacional da
Mulher, há 45 anos, aquele que já era um marco das lutas das mulheres
operárias assinalado em várias partes do mundo desde o final do século
XIX e início do século XX.

O que principiou por ser uma luta pelos direitos de cidadania e do direito ao voto das mulheres acabou por ser o início de muitas lutas pela igualdade de tratamento e de oportunidades. Devemos à determinação dessas mulheres, conquistas marcantes na luta
pelos direitos das mulheres e pela igualdade de género. Em Portugal e na maior parte dos países desenvolvidos, as mulheres têm hoje não só direito ao voto, como direito ao aborto seguro.

Enchem as escolas e são maioritárias no ensino superior. Integram o mercado de trabalho e estão representadas nos cargos de decisão política.
No entanto, e apesar dos avanços significativos, persistem desigualdades estruturais e discriminações em várias esferas da vida que continuam a marcar o quotidiano das mulheres.

Definem uma linha que divide os seres humanos em “mulheres e homens”, revelando um manto de relações de
dominação cujo fio condutor é o sistema patriarcal dominante, pouco
perceptível à sociedade de tão entranhado que está.
A disparidade salarial entre homens e mulheres que chega a ser superior a
16% (http://cite.gov.pt/pt/acite/disparidadessalariais_05.html) e que se
agrava na reforma, a segregação nos cargos de liderança e tomada de
decisão, a feminização da precariedade – bem presentes na época
pandémica em que nos encontramos -, da pobreza e da exclusão social –
em muitos casos, já existem 3 a 4 gerações de mulheres pobres -, a
desigual partilha das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos que
provoca sérias dificuldades às mulheres na conciliação entre trabalho,

família e vida pessoal, a desigual participação e representação política. O assédio e a violência sexual, a violência doméstica e os femícidios. Infelizmente, ainda assistimos à desculpabilização da violência exercida sobre as mulheres, responsabilizando as vítimas, seja pela roupa ou pela falta de comida na mesa à hora certa. Temos evidências da discriminação e a subalternização das mulheres na sociedade.

É precisamente no despontar destas repetições cíclicas da história, espelho da luta entre capital e trabalhadores e entre patriarcado e os valores de igualdade e solidariedade, que se afigura premente e necessária, a participação de todos e todas no seu combate.

Não posso terminar este texto sem referir o facto da presidência da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, ter tido nos últimos 8 anos, uma mulher como a primeira figura da nossa autonomia.                                                                                           E, mesmo em ambiente parlamentar, foram recorrentes alguns comentários, que embora subtis, denotavam algum preconceito machista. Ressalvo, também, a nossa querida Zuraida Soares que em tempos bastante difíceis, rompeu barreiras, colocando a mulher no papel central, não temendo qualquer tipo de resposta e atitude.

O importante é a sociedade entender que as mulheres, apesar de todas as dificuldades com que se depararam ao longo dos séculos, sempre mostraram ser capazes e que não servem para cumprir a lei relativa à paridade e aos cargos de chefia. Servem si por aquilo que são: seres dotados de capacidade!

 

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