Demissão
Demitiu-se o Presidente do Conselho de Administração da SATA, António Gomes de Meneses. Saiu, ao que disse a Comunicação Social, em rota de colisão com o Secretário Regional do Turismo e Transportes e com o Governo, por divergências que se vieram acumulando e por intromissões e interferências constantes dos atuais governantes. Saiu também por atrasos na decisão governamental para a implementação de medidas estratégicas consideradas urgentes para a SATA. Saiu deixando no Grupo SATA um passivo bancário de cerca de 60 milhões de euros. Saiu sem nunca ter levantado a sua voz, em defesa da saúde financeira da empresa, contra o cada vez maior atraso que se verifica no pagamento das indemnizações compensatórias, especialmente por parte da Região Autónoma dos Açores à Sata Air Açores, a de maior monta e a que tem implicações mais gravosas no referido passivo bancário. Saiu depois de ter deixado a empresa afundar-se em opções de gestão equívocas, como é o exemplo das várias rotas ruinosas em que envolveu a SATA Internacional. Saiu depois de ter permitido que fosse a tutela quem efetivamente decidia na empresa e que o que mais pesava em muitas opções era a agenda política do governo e não critérios de gestão rigorosos e fundamentados. Saiu deixando a empresa em muito pior estado do que a recebeu, em 2007, das mãos de Manuel António Cansado, de tal forma que muitos são os que já se questionam sobre o futuro da SATA Internacional.
Importa, neste momento, salvaguardar a SATA como empresa estratégica dos Açores, à qual deve estar cometido um papel essencial e inestimável, que é o da ligação entre as nove ilhas dos Açores e, subsidiária e complementarmente, a ligação quer com as nossas comunidades da América e do Canadá, quer com Portugal Continental.
Esperemos que a deriva dos últimos anos e a submissão das decisões empresariais a interesses políticos não tenha transformado o Grupo SATA num buraco ingerível…
Novos apoios comunitários
Desde a adesão de Portugal à União Europeia, em 1986, os Açores já beneficiaram, diretamente, de mais de quatro mil milhões de euros em fundos comunitários, vindos de vários Quadros Comunitários de Apoio.
Em Janeiro deste ano, iniciou-se o quinto Quadro Comunitário de Apoio que irá vigorar até 2020 e do qual virão para os Açores mais cerca de 1.500 milhões de euros, valor muito significativo e substancial, que representa até mais do que aquele que os Açores tiveram acesso no período 2007-2013.
Os financiamentos comunitários assumiram um papel tão importante e tão decisivo no investimento público regional que, em anos em que os mesmos não estão disponíveis, como tem sido os dois últimos, aquilo a que assistimos é a assustadora dificuldade que se verifica, quer no Governo Regional, quer nas nossas Autarquias, em levar avante algum investimento significativo nas nossas ilhas. Aliás, os nossos governantes já nem escondem que aguardam a entrada em vigor do novo Quadro Comunitário de Apoio, a sua regulamentação e aprovação das candidaturas para, então, haver mais investimento visível.
Triste futuro o nosso, quando já não tivermos acesso a essas verbas de uma União Europeia que tantos censuram e que tão poucos publicamente apreciam, mesmo quando é ela que lhes financia os grandes investimentos…
Importa, também, quando se fecha um Quadro Comunitário de Apoio e se abre outro, avaliarem-se os resultados da aplicação desses fundos europeus que nos são disponibilizados para ajudar a vencer e ultrapassar os nossos atrasos em relação à média comunitária.
Em próxima crónica abordarei essa temática e demonstrarei que, infelizmente, no arranque de um novo Quadro Comunitário de Apoio, a caraterização que o próprio governo regional faz dos Açores de hoje é a mesma ou pior do que a que fazia no início do anterior Quadro, em contraponto absoluto com a ideia do oásis açoriano de progresso e desenvolvimento que a propaganda oficial todos os dias nos quer fazer crer que vivemos nas nossas ilhas.
Memória
Quem ainda tem paciência de se deter na frente dos vários canais de Televisão a assistir a programas de debate, certamente verificou que os doutos comentadores que distribuem a sua sabedoria para formar a opinião dos “ignorantes” portugueses outra coisa não debatiam senão a questão da “saída limpa” versus “programa cautelar”.
Dividiam-se nos argumentos e nos efeitos positivos e negativos de uma e de outro e faziam sobressair a complexidade das questões associadas a uma ou a outra opção.
Decidiu o Governo a “saída limpa”.
E, vai daí, estes educadores do povo do nosso tempo, já só dizem que essa opção era a mais óbvia, que só não tinha percebido quem era cego, que isso era uma ordem da Europa (ou, conforme, o grau de especificidade do discurso, da Chanceler Angela Merkel, da Troika, do FMI, etc.) e que o Governo Português não só foi obrigado a assumir esta solução, mas também a desejava por causa das eleições europeias que se avizinham. Aquilo que antes era difícil e complexo, repentinamente, tornou-se quase de uma cristalina simplicidade.
Faz impressão que tais personalidades, algumas pagas a peso de ouro para nos brindarem com as suas luminosas lucubrações, sejam capazes de, em tão pouco espaço de tempo, quase dizerem uma coisa e o seu inverso, contagiadas pelos modismos, pelo politicamente correto e por essa quase certeza de que somos um Povo sem memória.
Mas, às vezes, parece mesmo que nós, Portugueses, não só nos esquecemos demasiado depressa do que aconteceu e do que foi dito no passado recente, como, sobretudo, tardamos em aprender com nossos erros e esquecimentos!
06.05.2014











