Notas sobre o reinício do Turismo nos Açores

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A Associação de Turismo Sustentável do Faial inicia hoje esta colaboração com o Tribuna das Ilhas, onde passaremos a escrever regularmente uma coluna de opinião. Numa altura em que as incógnitas são mais que as certezas, abordamos alguns dos temas que marcam a actualidade do turismo na Região.
Início atribulado de uma época com baixas expectativas – Para quem trabalha no Turismo (exceptuando talvez a restauração), Julho será, eventualmente, o mês do reinicio (tímido) da actividade. Garantidamente o número de visitantes será reduzido, as taxas de ocupação baixas e os custos fixos elevados. O mais importante será o facto de se poder voltar à actividade (porque ficar parado não é solução) e não ter prejuízo.
Instabilidade no transporte aéreo – Neste momento, em finais de Junho, a realidade é marcada pelo cancelamento em massa de viagens que estava marcadas para Julho, Agosto e até Setembro, não apenas devido às questões sanitárias nem somente pela falta de vontade de alguns viajantes visitarem os Açores este ano, mas simplesmente porque os voos marcados estão continuamente a ser cancelados ou alterados. Devido a estas alterações constantes, o mês de Julho, onde há umas semanas se podia vislumbrar alguma retoma, está já praticamente perdido. Sem que se crie alguma estabilidade em breve, o mês de Agosto seguirá pelo o mesmo caminho e os Açores tornar-se-ão num dos destinos com maiores perdas devido ao COVID-19 e à instabilidade no sector do transporte aéreo.
Laboratório no Faial – mais de 3 meses após o início da pandemia, com o Verão à porta e a reabertura gradual do espaço aéreo em marcha, continuamos a ter apenas 2 laboratório para teste COVID-19 nos Açores. Já estava mais que visto que a instalação de um laboratório no Faial era um passo fundamental para agilizar e dar resposta às necessidades de uma estratégia de reabertura que não esteja centrada exclusivamente em São Miguel e na Terceira. A tomada de decisão foi lenta e, apesar de já estar formalmente anunciada a instalação do laboratório no Faial, este apenas estará operacional em Agosto. É tarde! Para além do Faial, Pico e São Jorge, que são os principais prejudicados com este atraso, toda a região fica a perder com o facto de não haver mais um laboratório nos Açores a dar resposta ao fluxo cada vez maior de testes que terá que ser feito, sobrecarregando os dois laboratórios que estão em funcionamento. Exige-se das autoridades outra antecipação e agilidade no planeamento e medidas para minorar este problema grave.
Testes comparticipados na origem – uma das possíveis soluções para mitigar o problema e aumentar o número de testes feitos antes da chegada à Região, será comparticipar os testes feitos na origem. Isto já está a ser agilizado pela Madeira, que irá protocolar com um laboratório privado em Lisboa a realização dos testes. Há várias formas de operacionalizar esta solução, que teria desde logo a vantagem de reduzir a pressão sobre os laboratórios dos Açores, assim como sobre os profissionais e os meios logísticos da DRS necessários para realizar as colheitas. Seria um valor bem aplicado (e que seria sempre gasto na Região) e com retorno evidente.
Clareza na comunicação das regras de acesso à Região – a comunicação das condições de acesso impostas a quem viaja para a Região tem também que ser melhorada. Uma das últimas informações, obtida através da linha do GRA de esclarecimento COVID-19, foi a de que as crianças até aos 12 anos, quando viajam acompanhadas pelos pais, não têm que fazer o teste para entrar na região. Se assim é, há que comunicar isso claramente. Se temos regras mais restritas no acesso (e bem, no nosso entender), o que devemos fazer é comunica-las e aplica-las de uma forma simples, clara e fiável, para que a dúvida e o receio de viajar para os Açores não seja um factor ainda maior a afastar quem nos quer visitar.
Se não queremos que os Açores fiquem completamente para trás neste processo de retoma económica, temos que melhorar a comunicação, os procedimentos e a logística associada à reabertura do espaço aéreo. Depois de um magro Verão, virá seguramente um longo Inverno.

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