O buraco financeiro das empresas públicas (do Mar e do Ar)

0
34
TI

TI

Mais uma semana se passou e mais más notícias para os cofres do erário público. Efetivamente, se em 2016 o deficit das contas das empresas públicas de transportes aéreos e marítimos já era significativo e motivo de alerta, o ano de 2017 trouxe consigo a certeza que o buraco dessas empresas aumentou de forma exponencial, de tal modo que não se vislumbra tarefa fácil efetuar o seu saneamento financeiro.
1. Mar. Comecemos pela Atlânticoline, cuja administração, apesar de ter conhecimento dos avultados prejuízos que a empresa acumulou no exercício de 2017, entendeu, há umas semanas atrás, num ato de gestão, disponibilizar o navio “Gilberto Mariano” para que 5 pessoas se deslocassem às Sanjoaninas, na ilha Terceira, na primeira viagem da linha Lilás.
Será coerente que a administração da empresa pratique este ato de gestão face ao serviço público que presta? Não se exigia, em nome do rigor das contas públicas, que se colocassem em prática medidas de contenção de custos, pois a missão de quem está à frente deste tipo de empresa não é precisamente torná-la rentável?
E é por causa deste último aspeto, a exigência de dar rentabilidade à empresa ou, pelo menos, não a tornar deficitária, que entendo como inconcebíveis as palavras do Presi-dente do Conselho de Administra-ção quando destacou que “a empresa teve prejuízos menores que os previstos”.
Com a administração a pensar assim, não admira que a empresa continue a afundar-se, somando no ano transato prejuízos na ordem dos 2.6 milhões de euros.
E o que dizer do acordo alcançado entre a empresa e o sindicato dos trabalhadores que impediu a manutenção da greve, marcada estrategicamente para o período coincidente com as festas do Pico e do Faial?
É imperioso que o Presidente do Conselho de Administração explique aos açorianos os termos finais do acordo, pois se o mesmo, para evitar o prolongamento da greve, obrigou a aumentos salariais na ordem dos 15% e outras regalias, com um consequente acréscimo da despesa anual da empresa em cerca de 900 mil euros, não haverá funcionário público que não peça tratamento igual e exija que a tutela tome medidas neste caso, na medida em que tais concessões não são admissíveis numa empresa pública que acumula prejuízos.
2. Ar. Com a frieza e calculismo político que lhe é caraterístico, o Presidente do Governo, antes de permitir a divulgação das contas da SATA referentes a 2017 e já antecipando os ataques da oposição, lá conseguiu descobrir na ilha de São Miguel, depois de muito procurar, uma pessoa para substituir Paulo Menezes à frente da administração da SATA.
O mandato de três anos que António Teixeira agora inicia antevê-se repleto de dificuldades, a começar, desde logo, pela necessidade de criar um plano de contenção de custos que lhe permita reduzir os prejuízos orçamentais registados em 2017, no valor de 41 milhões de euros, o que poderá implicar uma eventual redução do número de funcionários e, concerteza, uma reavaliação de cada uma das rotas em que opera a companhia aérea.
Sabe-se que a SATA, a par do Governo Regional, é um dos maiores empregadores regionais, mas, por muito que custe, tal como acontece no setor privado, para assegurar a sua sobrevivência, fundamental para a preservação do todo regional, há que adaptar os recursos humanos à sua disponibilidade financeira.
Na sua audição perante a Comissão de Economia, António Teixeira pediu paz dentro e fora da empresa. Pediu a sindicatos, jornalistas, colaboradores e população açoriana apoio para levar a cabo a missão que lhe foi incumbida.
Sem dúvida que esta paz social é importante para a empresa. Mas, mais importante ainda, é colocá-la a prestar um serviço digno e eficaz à população, porque se assim não for, e os interesses da tutela estiverem sempre em primeiro lugar, como se diz na gíria futebolística, “não vai conseguir aquecer o lugar”.
É caso para dizer: seja pelo mar ou pelo ar, o buraco financeiro (em terra) continua a aumentar.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!