O Dia de Todos os Santos, o Pão-por-Deus ou o Halloween?

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1.O dia 01 de novembro é o Dia de Todos os Santos. Por todo o país este dia representa aquele momento do ano em que homenageamos de uma forma mais intensa e emotiva todos os nossos entes queridos que já não se encontram entre nós. Esta tradição centenária leva a que as famílias portuguesas se desloquem aos cemitérios para enfeitar as campas dos seus familiares e amigos com flores e velas, mas também para rezar, para orar por aqueles que já morreram.
É um momento importante de introspecção para cada um de nós, de reflexão acerca da vida que passa à nossa frente de forma estonteante, e a qual, muitas vezes, não temos capacidade de controlar, nem de aproveitar na sua plenitude.
Mas esta visita, que nos recorda que “somos pó e em pó nos iremos tornar” tende a acontecer no dia anterior ao estabelecido pela Igreja, muito por culpa da tradição popular. É cada vez mais normal celebrar-se o Dia dos Fiéis Defuntos no Dia de Todos os Santos, o que se explica simplesmente pelo facto de o dia 1 de Novembro (Dia de Todos os Santos) ser feriado e o dia 2 (Dia dos Finados), não.
Para além do carácter espiritual que estes dias comportam, são momentos também aguardados pelos vendedores de flores, velas e santos, que vêem o seu lucro aumentar, devido à devoção dos católicos. A tendência dos últimos anos indica que semanas antes deste dia a venda de flores sofre uma estagnação, mas depois acelera exponencialmente.
Associado ainda a este dia, por muitas vilas e cidades de Portugal, e com grande relevância em Mangualde, minha terra de nascimento, realizam-se as chamadas “Feiras dos Santos” que não são mais do que um momento no ano que cada Município promove com o intuito de atrair à sua região visitantes, turistas, para que conheçam e consumam os produtos e as iguarias locais, gerando receitas para os feirantes e também para os comerciantes locais.
Trata-se este de mais um exemplo que a ilha poderia perfeitamente replicar, potenciando a criação de um evento que permitisse trazer ao Faial, durante a época baixa, turistas desejosos por conhecer esta tradição e, ao mesmo tempo, consumir no comércio, nos nossos restaurantes e visitar os nossos “exlibris”.
2.Para além deste aspecto importante, no dia 01 de novembro é comemorado o chamado “Pão-por-Deus”. É o dia em que as crianças saem à rua, acompanhadas por familiares ou em pequenos grupos para pedir o Pão-por-Deus de porta em porta. Em cada casa que se abre recebem como oferendas caramelos, rebuçados, bolos e até dinheiro, que colocam dentro dos seus sacos de pano ou das suas mochilas.
Todavia, esta tradição teve a sua origem em Lisboa e remonta ao ano de 1756. Com o terramoto de 1 de novembro de 1755 que destruiu Lisboa, a população da cidade, maioritariamente pobre, ficou ainda mais pobre. No dia em que se cumpriu o primeiro aniversário do terramoto, a população aproveitou para realizar por toda a cidade um peditório em que as pessoas batiam às portas e pediam que lhes fosse dado o “Pão por Deus”. Esta tradição, que se propagou gradualmente a todo o país, manteve-se no tempo, sendo sempre comemorada neste dia.
Até meados do séc. XX, o “Pão-por-Deus” era uma comemoração que minorava as necessidades básicas das pessoas mais pobres. A partir dos anos 80 a tradição foi gradualmente desaparecendo e, atualmente, raras são as pessoas que se lembram desta tradição no território continental português.
Nos Açores, este costume continua fortemente impregnado, sobretudo nas crianças, que aguardam ansiosamente pela chegada deste dia para poderem pedir o seu “Pão-por-Deus”.

3. E o que dizer do Halloween ou Dia das Bruxas? Tradição importada dos Estados Unidos, onde é a segunda comemoração com mais adesão, a seguir ao Natal, celebrada no dia 31 de outubro, dia em que as casas ficam assombradas, os fantasmas ganham vida, as bruxas e zombies saem à rua e os vampiros saltam do caixão.
Tudo se junta naquela que é a noite mais assustadora do ano. Em Portugal, há cada vez mais pessoas a celebrar o Halloween. E não são só as crianças e jovens. As escolas promovem concursos e desfiles, os restaurantes e bares organizam eventos. E quem agradece é o comércio que acelera o seu ritmo de vendas neste período, vendendo produtos associados ao dia tais como abóboras, máscaras ou decorações para casa e jardim.

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