O Ditado

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 As vidas do nosso quotidiano são cada vez mais preenchidas com muitos afazeres profissionais e pessoais, áreas em que, para sermos bons, investimos quase todo o tempo disponível de que dispomos.

Contudo, vivemos em sociedade e somos obrigados a contribuir para o seu desenvolvimento e bem estar, tarefas estas supostamente entregues à atividade política e, consequentemente, aos seus governos.

Diz-se que a democracia foi tomada de assalto pelos partidos, uns de esquerda, outros de direita, com alguns movimentos independentes pelo meio.

A complexidade das melhores orientações que o nosso país deve tomar, aliada à sua presença no espaço europeu e internacional, em geral, fazem com que não tenhamos tempo disponível na nossa vida para acompanhar com pormenor toda a atividade política, por isso há uma coisa que deverá ser o seu alicerce: o nosso voto.

Poderá ser confuso, poderemos não gostar das políticas nem dos políticos, mas a ação destes mexe com a nossa vida do dia a dia, através da legislação produzida e dos investimentos efetuados, para os quais contribuímos com os nossos euros e cêntimos.

Dada esta importância, não podemos dar para sempre, como se um clube de futebol fosse, o nosso voto a uma força partidária. O voto é sempre nosso, intransmissível, deve sim ser emprestado no dia das eleições e regressar novamente à nossa propriedade.

Outro pilar fundamental para que a democracia funcione em pleno é a alternância política, na medida em que há políticas de mais geração de riqueza e outras de mais distribuição, cada uma com prós e contras. Assim, e à semelhança de países muito desenvolvidos a nível mundial, o povo, duma forma sábia, alterna os governos, ou mais à esquerda, ou mais à direita, com ganhos no seu bem estar e tirando partido do que de bom a democracia nos trouxe.

Devemos, portanto, ter presentes noções básicas de esquerda e de direita e do que estas pretendem caso sejam governo, se são mais igualitárias, de proteção social, ou se, apesar de assentarem nessas bases, são mais orientadoras para o desenvolvimento económico-social e mais liberais, ou ainda os extremos, a cujos radicalismos os portugueses têm, felizmente, dado pouca importância eleitoral.

Duma forma aparentemente racional, termos um estado providencial que nos proteja de modo igualitário tem tido sucesso eleitoral no nosso país, graças a um povo que, com expectativas baixas, se defende normalmente num governo de esquerda.

Mas esta situação governativa com muitos anos, sem alternância, está a ter como consequências um país sem capacidade produtiva modernizada, com deficits orçamentais, balanças comerciais desequilibradas, com consequente desemprego, que culminou num ditado.

Foi necessário virem pessoas de fora de Portugal, a chamada Troika, em 15 dias pura e simplesmente fazer um ditado, ditar nas orelhas dos governantes como se faz, que é diferente do que se tem feito.

Perante este ditado, perante um sistema democrático, perante o facto do voto ser nosso e não dos partidos, perante o bom funcionamento das democracias ser a alternância, há que utilizar o nosso voto na hora certa, no sentido de introduzir um efeito de compensação em muito tempo com as mesmas políticas.

Poderá custar a muitos, alguns até terão que fechar os olhos na altura de colocar a cruz, mas se têm juízo e responsabilidade e orgulho em querer um futuro melhor para os seus filhos, têm de se deixar de clubismos e utilizar sabiamente o seu voto, para que não haja mais ditados.

Aliás, esta esquerda governativa nacional o que fez pelo Faial? Se pensarmos nos domínios da acção nacional sobre esta ilha, como é o caso do aeroporto da Horta, qual a intervenção? Ampliou-o? Não! Entregou o seu património à Região? Não (até teve-se que comprar)! Diminuiu o emprego e a importância? Sim (através do fecho da Estação Rádio Naval e da perda do Comando da Polícia, para referir apenas dois)! Fez um novo estabelecimento prisional na Horta? Não!…

Querem continuar com o ditado?

                                                                              f[email protected]

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