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O Enclave – Culpados e Responsáveis

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A ampliação do aeroporto da Horta teve um revés na sua prioridade política e é preciso que se compreenda quais foram os protagonistas e os argumentos para que este investimento fundamental para o Faial não seja uma realidade e se tenha criado um enclave.

A entrada de um economista na presidência política do governo e a natural confiança do máximo representante regional no seu parecer técnico-económico é o fator novo que justifica, a meu ver, a inflexão da orientação que o então secretário regional da economia (da legislatura 2004-08) dava a entender, concretamente que o projecto de ampliação estava pronto para avançar!

Indagando, assim, os porquês deste adiamento (que poderá ser cancelamento) obtive informações preocupantes de alguns responsáveis, alegando, por exemplo, que o facto de a ilha de Santa Maria ter um grande aeroporto não era sinónimo de desenvolvimento, por isso nada indicaria que o Faial se desenvolveria com a ampliação do seu aeroporto. Este argumento e outros do mesmo género são muito venenosos e muito preocupantes.

Outro argumento foi que não faria sentido fazer as Portas do Mar em Ponta Delgada sem investir no mais importante porto náutico dos Açores, a Horta, por isso primeiro seria feito o aumento do porto…

Em Lisboa, em reuniões com técnicos com responsabilidade aeronáutica, foi-me dado a perceber que havia 2 argumentos, o primeiro era o da restrição orçamental, isto é, verbas nacionais disponíveis para investimento aeroportuário nos Açores só haveria para apenas uma infraestrutura.

Perante isto, o decisor político deveria investir naquele que tem maior potencial de crescimento, daí a opção pelo aumento da placa de estacionamento de aeronaves em São Miguel, ficando, assim, o Faial para trás.

O outro argumento – este puramente político – e na sequência do primeiro, tem a ver com as afirmações do presidente do governo de que se a entidade aeroportuária nacional não avançasse com a obra o governo regional o faria!!!

Um breve comentário nos sugere o primeiro argumento, uma atitude que implica que o aeroporto da Horta será sempre regional e nivelado com o do Pico e o de São Jorge, e que as gateways puras com o exterior serão PDL e TER, com a viabilização da transportadora aérea regional. Mas tão grave quanto isso é, por vezes, chamarem-nos bairristas quando a decisão entre ampliar o aeroporto da Horta (que tem graves penalizações) e aumentar a placa de estacionamento em Ponta Delgada é não de um presidente de todos os açorianos mas de todos os da sua ilha natal.

O segundo argumento culpabiliza na íntegra quem o expressa. Quem é o presidente do conselho de administração da entidade aeroportuária que gastará um euro num aeroporto, tendo o responsável político local a dizer que “gastará” os euros por ele?

Não poderia ser mais directo quanto a quem considero os culpados e os responsáveis pela não concretização deste investimento estratégico para o Faial, mas tenho que ser coerente e alargar a responsabilidade aos dirigentes locais do partido do poder, por um lado, por aceitarem sem luta eficaz estes argumentos, mas por outro, por não terem uma acção mais pró-activa, nem que seja ao nível dos projectos, procurando que quando acaba um, outro esteja na forja, pronto para avançar, evitando hiatos de investimento estruturante.

O auto elogio permanente do máximo governante quanto a ser autonomista e a defender essa autonomia não faz sentido quando se fala da ampliação do aeroporto da Horta, pois atira toda a responsabilidade para Lisboa, parecendo que temos um enclave não açoriano na ilha do Faial.

Espero que em breve mude de atitude, com a possível mudança de cor a nível nacional, ganhando assim mais argumentos de “autonomista” e que não sacuda a água da sua culpa e responsabilidade do capote.

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