O Encontro Rural dos Pequeninos

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Na passada semana decorreuna ilha do Faial mais uma edição do “Encontro do Mundo Rural”, promovida pela Câmara Municipal da Horta em colaboração com outras entidades.Sem querer me debruçar acerca da polémica surgida, e que teve eco na Assembleia Municipal, sobre se este ano deveria ou não ter havido a Feira Açores na ilha do Faial, o que é certo é que quem se deslocou à Quinta de São Lourenço entre os dias de quinta-feira e sábado para assistir ao evento se pode aperceber o quão fraco é.

Desde logo, e que já é visível há muitos anos, a Quinta de São Lourenço tem poucas condições para receber pessoas para assistir a este tipo de eventos, ou para receber empresários que queiram mostrar e vender os seus produtos. A chuva, o frio e o vento são, por vezes, uma constante e afastam qualquer um deste certame.

Aquando da cerimónia de inauguração ainda se tentou salvar o momento prometendo obras para o Parque de Exposições. Ora, sem questionar a legitimidade da realização destas obras, pergunta-se para quando as mesmas? E porquê o anúncio apenas agora e não quando estalou, por exemplo, a polémica da Feira Açores? Deu-se claramente a entender que tal promessa surge apenas porque as eleições autárquicas se aproximam.

Este ano não deixou de ser notória a falta de interesse manifestada pelos empresários em aderir a este encontro,com alguns stands sem ocupação.Associada a este desinteresse, e para piorar a situação do empresário, a própria organização decidiu cativar o público que ali se deslocou com vários espectáculos no interior de uma tenda, o que levou a que, durante aquele período,as ruas da Quinta de São Lourenço ficassem desertas e sem ninguém para comprar ou visitar os espaços comerciais.

Esta é a prova evidente de quequando se projetou o certame não se pensou em todas as suas variantes.

A ilha do Faial encontra-se, há uns anos a esta parte,estagnada,sem poder reivindicativo, sem forças para promover o seu desenvolvimento económico e sem capacidade empresarial relevante. O que se passou no Encontro do Mundo Ruralencontra uma clara correlação com o estado atualdo chamado Parque Empresarial do Faial e a falta de interesse evidenciado pelos empresários em aí se instalarem.Somos muitos pequeninos no todo regional.

É verdade, passados alguns anos após a sua inauguração, para além da insignificante promoção que se tem feito desse Parque Empresarial junto das empresas locais, açorianas, nacionais ou internacionais,o número de empresas hoje aí localizadas é residual, na medida em queestasnão viram nesseespaço uma forma de potenciar o seu negócio.Não admira por isso que muitas dessas empresas se instalem em outras ilhas.

Para complicar ainda mais o negócio das empresas aí instaladas, o Governo Regional, com a autorização da Câmara Municipal, decidiu construir nesse local o matadouro do Faial. Mais uma vez não discuto a importância do investimento.

Mas a pergunta que se faz para um milhão de dólares é “quem é o empresário que, sabendo que tem a 50 metros um matadouro, com os inconvenientes que dai advêm, vai querer investir nesse local?

A visão redutora e, por vezes, retrógrada dos nossos governantes é que tem desembocado neste tipo de procedimentos. Não se planeia, não se delineia, não se aponta o futuro da ilha. Apenas se tenta solucionar o presente.

Cada vez mais há que olhar para os exemplos que temos em outras ilhas e não ter vergonha de, por vezes, replicá-los na nossa. Refiro-me concretamente ao facto de há uns dias atrás, o Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, após ter criado uma incubadora de empresas, decidiu promovê-la na zona tecnológica mais importante do mundo, Silicon Valley.

Não se amedrontou. Sabia o que ia fazer, isto é, ia tentar captar investimento estrangeiro para o seu concelho. Mas, naturalmente, para chegar a esta última etapa, teve de percorrer um longo caminho, imaginou, pensou e executou. E só depois de concretizado é que passou à fase seguinte: mostrar às grandes tecnológicas mundiais que o seu concelho é atrativo e tem capacidade para as receber.

É este o caminho que temos que trilhar. Há que inovar, exponenciar novas ideias, cativar o investimento privado, pois só dessa forma conseguiremos que a nossa ilha singre pela diferença no todo regional.

João Paulo Pereira

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