O Governo está a asfixiar o Faial

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Pergunta: como se asfixia uma ilha e se limita o seu desenvolvimento?
Resposta: cortando-lhe os acessos.
É precisamente isto que o governo regional está a fazer ao Faial.
A tática não é nova. É usada há milhares de anos em situações de conflito. O que não podemos aceitar é que seja utilizada nos nossos dias, como forma de estrangular uma ilha, numa região em que se fazem diariamente declarações públicas de compromisso com a coesão territorial e com o desenvolvimento de todas as parcelas do arquipélago.
O governo regional está a asfixiar o Faial através do condicionamento das duas portas de entrada e saída da ilha, o porto e o aeroporto. Está a fazê-lo limitando os transportes marítimos e aéreos, sem o assumir, mas com ações práticas que se arrastam há anos e que muito têm prejudicado esta ilha.
Com a alteração do projeto do molhe norte do porto, o poder socialista dos Açores deu um rude golpe nas condições privilegiadas da baía da Horta, e só não conseguiu ainda completar o que, cada vez mais parece ser o seu verdadeiro objetivo, porque algumas das forças vivas da ilha e a oposição política tomaram posições públicas de contestação às intenções governamentais.
Mas as intenções mantêm-se e os faialenses têm que estar muito atentos para não serem enganados de novo.
A outra área de acessos ao Faial – transportes aéreos – não está melhor.
A luta pelo aumento da pista do aeroporto merece do poder regional uma posição completamente inexplicável. Dizer que se apoia a reivindicação e recusar em simultâneo investir o que quer que seja na sua concretização, é de uma desfaçatez política condenável. E é ainda mais condenável quando se invoca o argumento de que a infraestrutura está concessionada a uma empresa privada, sabendo-se que o mesmo governo investe em infraestruturas privadas espalhadas por outras ilhas, ou que ofereceu terrenos à Marinha para instalar a estação radionaval noutra ilha, esvaziando ainda mais o Faial.
Para além da infraestrutura aeroportuária, fundamental para a diminuição das penalizações das aeronaves, para permitir a operação de aviões de maior dimensão e para aumentar a atratividade para as companhias aéreas, a oferta de ligações e de lugares, bem como a promoção da rota, são também aspetos cruciais.
A promoção do Faial é praticamente inexistente nas campanhas realizadas pela SATA, numa companhia que deveria ter interesse em promover todas as suas rotas.
A política de preços da companhia desincentiva a utilização da ligação direta Lisboa–Horta e “obriga” os passageiros a optar por outras gateways, o que leva a que centenas ou até milhares de potenciais visitantes decidam não vir ao Faial.
Esta estratégia deturpa os dados do movimento de passageiros nos aeroportos, comprime o tecido empresarial e acarreta ainda o efeito perverso de aumentar o número de passageiros com encaminhamento nos voos inter-ilhas, com a consequente diminuição da capacidade de transporte dos residentes.
E quando se esperava que a SATA correspondesse à necessidade de reforçar o número de voos e de lugares disponíveis, quer na rota Lisboa-Horta, quer nas ligações inter-ilhas, eis que somos surpreendidos com a diminuição de voos e de milhares de lugares, de acordo com a informação constante do site oficial da companhia aérea.
Perante a contestação da população desta ilha, até pode vir a companhia dizer que os dados não eram definitivos e que haverá reforço de ligações, o que esperamos que venha a acontecer. Mas os danos já foram parcialmente atingidos com a falta de disponibilização atempada da informação sobre os voos, pois quem programa as suas férias fá-lo cada vez com maior antecedência.
O que não podemos aceitar é que a SATA reduza o número de ligações aéreas do Faial.
Numa rota com acentuadas taxas de ocupação – apesar das tarifas elevadas – e em que os faialenses e visitantes sentem regularmente dificuldades na marcação de viagens por falta de lugares, o agravamento dessas dificuldades seria incompreensível e só poderia indiciar má vontade de quem nos governa e dos gestores públicos por si nomeados.
A SATA tem que se constituir como um veículo de coesão e de desenvolvimento das nove ilhas do arquipélago. Não pode continuar a servir de instrumento do governo para agravar as assimetrias regionais e, no caso concreto, para asfixiar a ilha do Faial.