Início Artigos de opinião Maria do Céu Brito Porque persistimos no erro de querer avaliar os peixes pela sua competência...

Porque persistimos no erro de querer avaliar os peixes pela sua competência em subir às árvores?

0
21
TI

TI

Porque persiste a escola na valorização absoluta do conhecimento conceptual e da cognição – enquanto atividade intelectual que permite apreender os conceitos e desenvolver pensamentos abstratos? Porque persiste na crença de que as atividades práticas têm menos valor na formação dos indivíduos? Porque se insiste na desvalorização da corporalidade e no erro da uniformização do diverso? Porque se ignoram os potenciais dos indivíduos e se continua a avaliar “os peixes pela sua competência em subir às árvores”?
Qual a grande objetivo a atingir para a maioria das escolas? O Conhecimento, a Cidadania Responsável e a Participação. Uma meta desejável não só para a escola mas para as comunidades e para os cidadãos. Mas como implicar ativamente as comunidades? Com criar estímulos à aprendizagem ao longo da vida e à participação criativa? Que medidas implementar para recuperar tradições das comunidades rurais insulares, como o teatro, a música e a dança? Como partilhar conhecimentos ancestrais que estão a perder-se? Como valorizar, objetivamente, o legado de conhecimentos das comunidades? Qual o papel da escola na preservação dos conhecimentos ligados às artes e às tradições? Qual o papel que cabe aos responsáveis políticos, às Associações Recreativas, às Casas do Povo, às Juntas de Freguesia, no que diz respeito â Educação e à Cultura, já que lhes cabe a governança local e a implementação de medidas que garantam o bem-estar e o desenvolvimento das comunidades.
Em meu entender, a escola e as instituições têm a responsabilidade ética de dar corpo a uma verdadeira Comunidade Educadora. O que é? Um tipo de comunidade que faculta a todos os seus membros espaços de aprendizagem formal e informal, promove a participação ativa e é modelo de ação ética. Funda-se sobre valores como a Dignidade, Verdade, Respeito pela Diferença, Solidariedade e no Princípio de que a própria Comunidade deve ter certas características das quais o cidadão de deve orgulhar, assumindo pessoalmente a responsabilidade ética de agir no sentido de tornar real a comunidade idealizada. O que pressupõe, então, uma Comunidade Educadora? Participação, Compromisso e Ética. Compromisso com o desenvolvimento pleno de todos os membros da comunidade, no caso da comunidade educadora alargada. Compromisso com a criação das condições necessárias, nas escolas, para promover uma Educação integradora e de qualidade para todas crianças e jovens. Mas o que se entende por Educar? O mesmo que Instruir? Não! A palavra educar tem raízes latinas: educare, ducere, e significa “conduzir para fora” ou “direcionar para fora” as potencialidades e o valor da pessoa, reconhecendo-lhe o inalienável direito à dignidade. Instruir deriva do termo instruere, que significa: “equipar, fornecer informação”, “amontoar, empilhar, reunir, criar, erguer”. Instruir é então debitar/empilhar informação. Educar, ao contrário de instruir, significa um ato de reciprocidade. Quem educa também é educado e o conhecimento desenvolve-se na interação. Significa construir juntos, em diálogo, não só conhecimento, mas uma identidade, um projeto de vida individual e coletivo; construir o próprio futuro. Nesse sentido, a escola é uma comunidade educadora que se integra, ecologicamente, numa comunidade mais ampla e, tal como um espelho, reflete-se nela.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!