O que foi que aconteceu ao Faial nestas eleições?

0
6

Assino hoje a minha primeira intervenção neste semanário. Faço-o com gosto, procurando transmitir aos seus leitores a minha opinião sobre temas da atualidade. Nesta minha primeira colaboração, pareceu-me oportuno avaliar o mais recente momento eleitoral ocorrido há menos de um mês, as Eleições Legislativas Regionais.
O título deste artigo poderia ser uma das grandes questões colocadas não apenas aos responsáveis políticos mas a todos aqueles que residindo no Faial, optaram por votar ou não votar.
A nível Açores o PS revalidou uma maioria absoluta, permitindo desta forma estabilidade governativa no Parlamento Regional, não sem que se verificasse um grande nível de abstenção.
No Faial, foram 6463 os eleitores que optaram por não escolher, por deixar que outros decidissem por eles. Se somarmos a estes, os votos nulos, atingimos coincidentemente o mesmo número de votantes e não votantes (mais nulos), 6550. Já se somarmos ao número de não votantes, os votos nulos (87) e os votos em branco (239), temos um número de 6789 eleitores que não participaram da escolha dos candidatos apresentados.
Todos tiveram certamente as suas razões para o fazer, uns porque não concordavam com nenhuma das forças políticas, projectos e candidatos apresentados, outros porque acharam que as sondagens mal feitas apresentadas é que escolhiam pelas pessoas, e outros ainda que pura e simplesmente não tinham forma de votar, por se encontrarem ausentes nas suas terras de emigração.
Nada disto porém altera a realidade dos votos, e uma verdade ainda maior, é que o povo tem sempre razão. O povo é soberano nas suas decisões, seja qual for o partido vencedor.
Como tal, o resultado é que conta, e o resultado foi este, o PSD ganhou as eleições no Faial por 8,59% de diferença.
Com um novo cabeça de lista, que há 4 anos estava na lista de candidatos em terceiro lugar, e que passou, surpreendentemente para alguns sociais-democratas, para primeiro lugar, e apesar da renovação, dificilmente digerida internamente no partido, e da demagogia e retórica utilizada pelos candidatos, a verdade é que o “Ás de Ouros, transformou-se no Valete de Espadas” e os resultados alcançados traduziram-se num aumento de apenas 66 votos, 15 dos quais na sua freguesia de origem, o que a muitos sociais-democratas soube a pouco.
Por outro lado o PS, com 32,56% das escolhas dos eleitores foi o derrotado das eleições no Faial. Apresentando-se com os mesmos 2 candidatos que há 4 anos, não obteve os resultados esperados, perdendo em relação às eleições anteriores, um total de 919 votos.
Não há volta a dar, o PSD ganha 66 votos e o PS perde 919 votos, encontrando-se assim o vencedor, nada expressivo destas eleições, que aumentando 66 votos conseguiu compensar os 450 votos de diferença com que tinha perdido há 4 anos.
Mas para onde foram então os cerca de 853 votos que faltam nesta equação? Se o PSD, esforçadamente conseguiu ter mais 66 votos, para onde foram os restantes?
Foram obviamente para a abstenção, votando menos 479 Faialenses que em 2012, e os restantes foram depois distribuídos pelo partido novidade, o PAN, que ao obter 78 votos, teve mais 12 que aqueles que o vencedor da noite eleitoral conseguiu (comparativamente com 2012), e os restantes votos foram distribuídos quase de forma equitativa entre CDS-PP e BE, partidos que sabendo não serem capazes de constituir governo, como aliás sabia também o PSD, demagogicamente tudo prometeram.
Uma coisa me parece certa, todos temos a obrigação clara de saber interpretar os resultados e perceber os motivos da abstenção, parecendo-me que desta vez se pode destacar uma das frases analíticas muitas vezes utilizada após os atos eleitorais, “As eleições não se ganham, perdem-se”.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO