O Ronaldo dos Trails, os bombeiros e as vaquinhas do pasto

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O fim-de-semana passado foi extraordinário para o desporto açoriano, mas, so-bretudo, para o desporto faialense. Dário Moitoso conquistou o seu primeiro título de campeão nacional de Trail Run.
Para o nosso jovem atleta, esta vitória representa a cereja no topo do bolo, num ano em que vestiu pela primeira vez a camisola da Seleção Nacional, no Trilho dos Abutres, em Miranda do Corvo, tendo sido o quarto melhor português no Campeonato do Mundo e tendo obtido o sétimo lugar, o melhor resultado de sempre para um português, no Ultra Trail du Mont Blanc.
Com mais este título no seu brilhante palmarés, Dário Moitoso assume-se assim como um dos atletas portugueses mais importantes da atualidade nesta modalidade, alcançando, ao mesmo tempo, enorme projeção internacional. Merece, por isso, os nossos parabéns e o nosso reconhecimento pelo trabalho, esforço e dedicação que tem colocado em prol deste desporto associado à natureza.
Mas esta façanha do nosso “Ronaldo do Trail Run” parece que pouco ou nada foi valorizada por estas bandas.
Efetivamente, se houve quem se apressasse a congratular-se com o investimento, diga-se necessário, que vai ser feito no Quartel do Carmo para a transformação do mesmo num hotel de 5 estrelas, no que respeita à concretização deste enorme feito por parte de Dário Moitoso não ouvimos ainda uma única palavra de apreço dos nossos governantes.
O que é preciso mais para se dar valor a este atleta e ao seu percurso desportivo?
O mesmo digo em relação ao investimento de mais de três milhões de euros que o Governo Regional aprovou para a construção do novo Quartel dos Bombeiros. Não me apercebi de uma única voz, provinda de governantes, de partidos políticos ou outras entidades, que tivesse manifestado publicamente regozijo pela concretização deste último passo necessário para o avanço desta importante obra para a ilha.
Na verdade, com a concretização deste suporte financeiro, parece que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Faial (AHBVF), tal como o seu presidente fez questão de salientar aos microfones da RTP/Açores, estará em condições para, em breve, avançar com o concurso público para a construção desta infraestrutura.
Depois de anos de espera e de luta pela criação de melhores condições para o desempenho da função de bombeiro, eis que o sonho se tornou realidade.
É, também, a realidade problemática das alterações climáticas que leva por estes dias chefes de Estado e de governo à sede da ONU, em Nova Iorque, e que levou o Reitor da Universidade de Coimbra (UC) a cumprir à risca aquilo que ali foi pedido por António Guterres – a adoção de medidas em defesa do meio ambiente.
Tendo Portugal, entre 66 países, assumido nesta cimeira o objetivo da neutralidade carbónica (não produzir nessa altura mais gases de efeito estufa do que aqueles que conseguirem absorver) em 2050, eis que o Reitor da UC se antecipou e decidiu retirar a carne de vaca da ementa das 14 cantinas geridas pela universidade já a partir de 01 de janeiro de 2020.
Pretende ele tornar a UC até 2030 a primeira universidade portuguesa neutra em carbono. Para uns trata-se de um simples gesto simbólico, para outros um problema com reflexos na economia, já que são menos 20 toneladas de carne que são vendidas pelos produtores.
Todos nós sabemos que esta posição, tal como a adotada pela Universidade de Londres, tem vozes a favor e contra, mas poderá funcionar como um alerta, sobretudo, para os Açores, para a agricultura e economia açorianas, muito dependentes da exportação de carne de vaca.
Basta que este rastilho da neutralidade carbónica se estenda a outras instituições, e, quiçá, à população em geral, para vermos desaparecer dos nossos pastos as vaquinhas felizes. A ver vamos.

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