# Round 1: Eleições Europeias

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1. Terminou o primeiro embate entre o Partido Socialista de Vasco Cordeiro e o Partido Social-Democrata liderado por Alexandre Gaudêncio. E terminou tal como tem acontecido nos últimos atos eleitorais nos Açores, isto é, mais uma vez os açorianos deram uma vitória a Vasco Cordeiro e ao candidato do PS André Bradford.
As expetativas que existiam à volta do resultado que poderia obter o novo líder social-democrata nesta sua primeira luta eleitoral regional saíram, pois, completamente goradas aos seus apoiantes.
Se é certo que se esperava mais deste novo PSD/Açores, não é menos verdade que a sua derrota nas urnas não é de hoje. Começou a desenhar-se há algum tempo atrás, no preciso momento em que Rui Rio decidiu atribuir o oitavo lugar da lista às europeias aos Açores, Mota Amaral entendeu não aceitar o lugar e Alexandre Gaudêncio não indicou mais ninguém.
Sem quaisquer ações de campanha do PSD nas ilhas açorianas, este facto foi muito bem aproveitado pelo PS para ocupar todo esse espaço político livre, desenhando uma campanha orientada para a audição dos setores chave da economia açoriana e para a influência dos eleitores, sobretudo através da comunicação social.
Uma campanha com um único comício permitiu ao Partido Socialista angariar quase o dobro dos votos do principal partido da oposição. 17.494 foram aqueles que votaram no PS, enquanto 8.849 colocaram a cruz no quadrado do PSD.
Mas, estes votantes evidenciam a elevada abstenção que se registou nos Açores e que bateu todos os recordes a nível nacional. 186.195 eleitores açorianos, o que correspondeu a 81,29% dos votos, decidiram não ir às urnas exercer o seu dever cívico de votar. Aos que se somam os 3.232 (7,54%) de votos brancos e 944 (2,20%) nulos.
Em face destes números, será, pois, tempo de uma profunda reflexão para todos os partidos, sobretudo aqueles que mais foram penalizados nas urnas, acerca da mensagem que foi transmitida aos eleitores.
Nestas eleições, merece ainda relevância a boa votação registada pelo Bloco de Esquerda ao nível regional, com 3.195 eleitores a votarem no partido, acompanhando a tendência de voto verificada a nível nacional, do próprio CDS-PP regional que, com 2.801 votos, conseguiu uma percentagem superior (6,54%) ao partido presidido por Assunção Cristas e ainda do novo partido Aliança que, obtendo 1.042 votos na sua primeira aparição eleitoral, poderá aspirar nas eleições regionais a ter representação na Assembleia Legislativa Regional.
2. Na ilha do Faial, o resultado foi exactamente o mesmo que a nível regional. O Partido Socialista venceu o PSD em 9 das 13 freguesias da ilha, o BE assumiu-se como a terceira força política mais votada com 280 votos e o CDS-PP a quarta força com 170 votos.
Sem dúvida um resultado negativo para o PSD local, atenuado apenas pelo facto de ter conseguido obter a percentagem mais elevada de votos do partido a nível regional (24,77%) e de a diferença de votos para o Partido Socialista ser praticamente igual àquela verificada nas eleições autárquicas.
Também aqui a abstenção assumiu papel preponderante conseguindo 74,61% dos votos que, juntamente com os votos brancos (10,59%), indiciam que mais de 85% do eleitorado decidiu ficar em casa ou não se reviu nos candidatos.
Aproxima-se a passos largos um novo ato eleitoral e com ele a necessidade de se adotarem medidas efetivas de combate ao continuo aumento da abstenção, sobretudo por parte da classe política, seja o Governo, os deputados ou os partidos, a quem o recente estudo encomendado pela ALRA atribui a principal responsabilidade no desinteresse dos cidadãos pelo exercício do direito de voto.
Mas, como, independentemente da abstenção registada nos atos eleitorais, o que interessa é a vitória em eleições, os partidos da oposição, se quiserem inverter este ciclo, terão que escolher os melhores candidatos para as próximas eleições legislativas nacionais, de forma criteriosa, mas expedita, pois o tempo escasseia para fazer passar a mensagem dos partidos aos eleitores, sob pena de, não o fazendo, perderem o Round 2.

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