O sexto sempre será melhor que o décimo-sexto…

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Aproveitando o facto de o Faial ter um novo representante na bancada parlamentar do Partido Socialista, o deputado Tiago Branco, gostaria de fazer uma pequena reflexão acerca do que tem sido o processo eleitoral na nossa ilha.
Assim, se voltarmos atrás 8 anos, verificamos que quem encabeçou a lista do partido do governo pelo nosso circulo eleitoral foi nada mais nada menos que Fernando Menezes, que não tendo sido reconduzido no cargo de Presidente da Assembleia Legislativa Regional (ALRA), decidiu abandonar os Faialenses… E começava aí a debandada. Ana Luís tinha mais que fazer, João Bettencourt também e por aí adiante, até chegarmos ao 6º – Lúcio Rodrigues. Este último assumiu o cargo, o que levou a que fosse número dois na candidatura seguinte.
Para que não seja mal interpretado, não considero que o valor de cada individuo se meça pelo lugar que ocupa numa lista de candidatos.  Apenas realço o facto das figuras cimeiras serem normalmente alvo de maior escrutínio público, e naturalmente ser mais provável que venham a ser instados a dar voz às nossas pretensões.
Então e o que há de interessante aqui? O facto de nós enquanto eleitores olharmos para uma lista de candidatos, assumirmos que é intuito deles representar-nos num determinado órgão, votarmos neles e quando damos por nós, fica em nossa representação alguém que nunca ouvimos pronunciar-se sobre nada.
Há até situações caricatas, em que um cabeça de lista renuncia ao mandato para o qual foi eleito, para logo a seguir vir para a rua pedir novamente o voto, mas desta feita para outro órgão, como seja a Assembleia Municipal… Mas como aí de certeza seria presidente… deve ser por isso, pelo título!
Ora a situação que agora presenciamos na ALRA, é exactamente a mesma. O sexto, cuja única declaração eleitoralque se conhece é algo como: “apoio o Dr. Vasco Cordeiro pelas politicas desenvolveu em beneficio dos jovens, como o cartão inter-jovem”… Para trás ficaram os candidatos apoiantes de Vasco Cordeiro “pelas politicas de saúde” – que para o Faial são sem dúvida nada menos que excelentes! – e a candidata, que ocupou o lugar nos últimos meses, apoiante do presidente do governo “pelas excelentes politicas agrícolas”.
O que no fundo me incomoda, e acho até ultrajante, é o facto de se nos apresentarem candidatos que não têm a mínima intenção de ocupar o lugar a que se candidatam, e apenas surgem para validar um qualquer cabeça de lista.
Assim sendo, fica o apelo aos Faialenses para que nos próximos actos eleitorais atentem no número 6, pois este tem-se vindo a revelar no lugar que nos representa. Porque não no futuro escrutinar melhor quem ocupa este lugar… É que ter um representante do Faial que apenas servirá para ler votos de congratulação da bancada do PS pelos aniversários de uma qualquer colectividade que atinja um número redondo, parece-me francamente pouco.
Horta, 23 de maio de 2017
 

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