Obrigado Carlos César

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Fomos surpreendidos, na semana passada, com a notícia que dava conta da indicação de Ricardo Serrão Santos para Ministro do Mar no Governo que António Costa iria apresentar ao Presidente da República. Este ex-europedutado açoriano, eleito pelas listas do Partido Socialista nas europeias de 2014, substituirá amanhã Ana Paula Vitorino, vítima do chamado caso “familygate”.
Doutorado em Biologia pela Universidade de Liverpool e pela Universidade dos Açores, Serrão Santos foi presidente do IMAR- Instituto do Mar e diretor do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, antes de ser chamado às lides políticas.
Durante os cinco anos da sua estadia no Parlamento Europeu, integrou com sucesso as comissões das Pescas e da Agricultura e do Desenvolvimento Rural.
Por isso, aguardava-se, no início do ano, que, devido ao trabalho que ali desenvolveu, aos seus conhecimentos académicos e aos que adquiriu dos dossiers das áreas mais relevantes da economia açoriana, o Partido Socialista dos Açores o escolhesse, novamente, para integrar as listas às eleições europeias de maio.
No entanto, a decisão de Vasco Cordeiro foi a de o substituir.
Mas, onde uns viram o fechar de um ciclo, outros descobriram recentemente uma oportunidade para a Região Autónoma dos Açores conseguir ter alguém no novo Governo, alguém com capacidade, conhecedor profundo da realidade açoriana nos capítulos do mar e das pescas e, porventura, um interlocutor capaz de desbloquear o processo da Lei de Bases de Gestão e Exploração do Espaço Marinho.
Não se vislumbra outro que não Carlos César a usar a sua influência no Partido Socialista e a aproveitar a circunstância de António Costa não desejar no novo governo ministros com ligações familiares, para colocar o nome de Serrão Santos em cima da mesa do indigitado Primeiro-Ministro.
Poucos acreditavam que os Açores teriam um seu representante no Governo da República que amanhã toma posse. Dificilmente tal seria possível, tanto mais que se sabia, de antemão, que Carlos César, a pessoa mais bem posicionada para ocupar um cargo ministerial, não iria continuar na vida política ativa.
Por isso, certamente será justo dizer que a presença de Ricardo Serrão Santos, enquanto Ministro do Mar no XXII Governo Consti-tucional, é, sobretudo, da lavra do ex-Presidente do Governo Regio-nal dos Açores.
Ainda bem que os Açores têm César. Na verdade, é graças ao prestígio que granjeia no exterior e junto dos seus pares de partido em resultado de inúmeras vitórias políticas (sem esquecer o facto de ter sido o estratega da subida ao poder de António Costa), que a Região tem conseguido importantes resultados junto da República.
O Ministério do Mar assenta legitimamente a Serrão Santos, não porque este provém dos Açores, mas sim porque se trata de um reputado e conceituado especialista na área que vai tutelar.
Daí que não possamos deixar de repudiar a afirmação feita no jornal “Sol” de que os Açores tomaram de assalto o Ministério do Mar. Certamente que haverá muitos ministros oriundos de Lisboa e não vi nenhuma comunicação social escrever que Lisboa tomou de assalto este ou aquele ministério.
Há que olhar decisivamente, sim, para a competência de quem vai ocupar esta pasta ministerial. E aqui Serrão Santos está entre os melhores. Lembre-se que é um dos 19 especialistas de 16 países que estão a elaborar a agenda para a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (2021-2030), que será apresentada em 2020 na 75.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, ou que ocupou a terceira posição, num ranking da organização independente VoteWatch, sobre a capacidade de influência dos legisladores portugueses no Parlamento Europeu.
Acredito que, desta forma, os Açores estarão muito bem representados neste Governo da República e daí poderão tirar dividendos na área especifica do mar.

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