Obrigado por contribuir!

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Há dez anos que intervenho duma forma pública na sociedade Faialense e chegou a hora de fazer os agradecimentos e de abraçar novos projetos.

Parece que o tempo passou rápido, mas foi há pouco mais de dez anos que fui interpelado numa mercearia da baixa da cidade por um amigo que me apontou o dedo e disse “Tens a obrigação de te chegar à frente e contribuir para o desenvolvimento da tua terra”.

Esta afirmação levou-me a refletir sobre a minha presença e o meu contributo para a sociedade, e analisei na altura como poderia ajudar. Como não sabia de música, não poderia ser numa associação musical, como tinha um afastamento e uma referência negativa relativamente à política, não seria na vida partidária; então, como era filho e neto de comerciante e um meu antepassado havia fundado a associação comercial, da qual já eu tinha sido colaborador, achei que seria o local onde e as funções com que melhor poderia contribuir.

Foi com muita honra que servi a Câmara do Comércio e Indústria da Horta durante seis anos, como presidente da direção. Tenho muito orgulho em ter oferecido diversos serviços aos associados, desde um gabinete jurídico, um gabinete de higiene e segurança, um gabinete de medicina no trabalho, a realização de eventos e de feiras generalistas e setoriais, de ter aberto uma delegação na ilha do Pico e outra na ilha das Flores. Mas o mais importante de tudo foi colocar a nossa Câmara do Comércio e Indústria num patamar de respeito perante as suas congéneres de Angra e de Ponta Delgada, tornando-a participativa como parceiro social do Governo Regional.

Naqueles seis anos também defendi e reivindiquei para as ilhas de abrangência da Câmara do Comércio o direito a se desenvolverem, o qual por vezes era esquecido pelos órgãos de governo, e nalguns casos ao nível autárquico, no sentido de apelar ao investimento reprodutivo gerador de valor acrescentado para as nossas pequenas economias insulares, pensando nas pessoas e nos pequenos empresários.

Fui abordado por diversas forças partidárias ao nível local e regional, que me fizeram convites de vária ordem para entrar na vida política ativa, acedi participar como independente no projeto liderado pelo Arquitecto Paulo Oliveira e concorrer em segundo lugar à autarquia Faialense pelo Partido Social Democrata.

Foi um projeto em que a formação académica, a experiência profissional e o conhecimento da realidade sócioeconómica me deram confiança para contribuir para tal desafio. Mais uma vez, estou agradecido por ter contribuído, e vi que enriqueci como pessoa com a vontade de contribuir. Foi enriquecedor entrar nas casas dos Faialenses pelas freguesias e ouvir o povo. Lamentavelmente o projeto que foi apresentado nas eleições autárquicas de 2009 não foi vencedor, embora ainda hoje me reveja nele e continue a acreditar ser o que a Horta ainda hoje necessita.

Durante estes últimos quatro anos o contributo dado à sociedade foi, assim, como vereador da oposição, tarefa muito difícil, esquartejada por alguns ímpetos pouco democráticos de quem dirigia a autarquia, e que já esplanei em artigos anteriores, contudo, fazendo a regra de mínimos, denunciando as questões fundamentais necessárias para o desenvolvimento sócioeconómico do Faial.

Simultaneamente, nesse período senti a necessidade de contribuir na imprensa Faialense, tendo que agradecer à chefe de redação do Tribuna das Ilhas, D. Maria José Silva, que aceitou de imediato a minha sugestão de escrever quinzenalmente para o jornal sobre assuntos socioeconómicos regionais e sobre o enquadramento da ilha do Faial nessa realidade, e dando-me mais tarde liberdade para escrever sobre política económica local.

Passaram-se assim dez anos, em que aprendi que temos o dever cívico de contribuir para sociedade que nos acolhe, e que quem quer contribuir para o bem comum sem ser para ganho próprio por vezes agiganta-se perante os Golias, e que todo este processo é enriquecedor, por isso tenho de agradecer por ter podido contribuir.

Contudo, há ciclos para tudo, este artigo no Tribuna das Ilhas é o centésimo e considero que deverá corresponder ao fim deste ciclo de dez anos.

Só me resta agradecer a paciência dos meus leitores, aos assinantes e também àqueles que clicaram na internet para ver o artigo, e um especial agradecimento àqueles que quando me cumprimentavam me diziam em surdina “Gostei muito do seu artigo”. Até sempre! 

 

frgvg@me.com

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