Obrigado Sr. Mário Frayão

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TI
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Desapareceu um grande homem. Atrevo-me mesmo a dizer que no passado domingo faleceu um dos mais ilustres faialenses do Século XX. Nascido a 5 de outubro de 1928, a sua vida ficou intimamente ligada às letras, à arte e à cultura.
Em tenra idade estreou-se no teatro, pelo qual nutria uma enorme paixão. O cinema e a poesia também fizeram parte da sua vida. Mas é graças à sua persistência e gosto pelo jornalismo que hoje posso escrever estas breves palavras.
Na verdade, Mário Frayão foi um dos fundadores do jornal Tribuna das Ilhas e o seu primeiro diretor desde a sua fundação até ao dia 30 de junho de 2006.
É breve e simples este escrito, porque quem com ele lidou e viveu mais de perto é que consegue, certamente, transmitir o seu conhecimento e inteligência, bem como a amizade, enfim, todos os sentimentos que por ele nutria. E isso é plasmado nas duas páginas que ladeiam este editorial.
Para se escrever sobre alguém é preciso efetivamente conhecê-lo. Infelizmente, tal não me foi possível. Muitas vezes o ouvi na Assembleia Municipal, mas apenas conversei com ele duas ou três vezes há muitos anos atrás, e apenas conversa de circunstância, por isso, ao contrário de muitos outros, pouco posso dizer e escrever da minha experiência com ele.
Não há muito tempo, porque é essencial preservar o acervo patrimonial deste jornal para as gerações vindouras, tive nas minhas mãos a primeira edição do Tribuna das Ilhas. Foi um momento especial para mim e para quem, juntamente com ele, trouxe à luz do dia este periódico faialense.
Naquelas páginas começou a escrever-se a história da ilha do Faial e o Sr. Mário Frayão foi, sem dúvida, o seu grande impulsionador.
As suas próprias ações ao longo do seu percurso de vida falam por si. Daí que não possa deixar de reproduzir as afirmações de Alzira Silva proferidas aquando da apresentação da sua obra literária “Crónicas e Outras Estórias”: “terei igualmente de falar do cidadão, antes de falar do autor. O cidadão ativo, interventivo, atento, apoiante de causas, defensor intransigente da sua terra – ouvi chamarem-lhe “alma gémea da nossa ilha” – porém integrado no mundo atual, pensador incessante, com uma sólida formação ideológica, deputado municipal comprometido com a sua comunidade, independente eleito nas listas da CDU”.
A ilha ficou mais pobre, a cultura local e regional ficou órfã e o Tribuna das Ilhas perdeu o seu “pai”.
A toda a sua família os nossos sentidos pêsames.
Não podia terminar sem deixar o meu agradecimento: “Obrigado Sr. Mário Frayão”, por nos ter permitido, hoje, transpor para simples folhas de papel, mostrando a todos, a importância que ele teve na vida e na história da ilha do Faial.

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