Onde pára o Governo Regional, Parte I. E o apoio aos media?

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1. Todos os dias, às 16 horas em ponto, aparece no écran da nossa televisão regional a agora muito em voga, mas que certamente a maior parte dos açorianos desconhecia, Autoridade Regional de Saúde.
Não sei se esta entidade foi criada exclusivamente para fazer face a esta pandemia ou se já existia. Sinceramente, não sei. O que eu e todos os açorianos temos a certeza é que ela é composta por uma única pessoa: o Diretor Regional de Saúde.
É este senhor que, com muita coragem e determinação, tem sabido levar a casa de cada um de nós as noticias que acontecem, dia após dia, na Região em consequência da Covid-19. Quantos infetados, quantos casos suspeitos, a sua localização geográfica, quantos casos em vigilância, medidas que têm sido tomadas, a tudo tem este senhor respondido com calma e devido conhecimento.
É o único. Não há mais ninguém que o ajude. A sua superior hierárquica, a Secretária Regional da Saúde, desapareceu. Perante uma batalha a travar com um inimigo invisível fugiu. Fugiu de uma luta desigual, de uma cena para a qual nunca percebeu muito bem porque é que foi escolhida, deixando à sua sorte este técnico e não o político. Ainda bem que o fez.
E o resto do Governo Regional? Desaparecido em combate. É este o autocolante que podemos muito bem colocar por cima da foto de família do executivo açoriano. Desde a famosa viagem à ilha de Santa Maria, já em plena crise Coronavírus, nunca mais deu sinais de vida.
E o próprio Vasco Cordeiro que acordou tarde para este surto, parece ter voltado a adormecer perante o evoluir preocupante da pandemia na Região. Ao longo destes dias e por diversas vezes o seu homólogo madeirense veio falar às televisões nacionais anunciando medidas concretas para famílias, empresas e confinando a quarentena de quem chega à Região a um hotel requisitado para esse efeito.
E por cá o que fazemos? Necessitamos de uma voz de comando, a de Vasco Cordeiro.
2. A previsível hecatombe financeira do mundo empresarial estende-se também às empresas detentoras dos muitos órgãos de comunicação social nacionais. Não admira, por isso, que a Plataforma dos Media Privados (PMP) tenha exigido ao Governo de Costa um programa de ação dirigido aos media, alertando estar em causa a sobrevivência dos órgãos de comunicação social privados.
Igualmente, se percorrermos os sites na internet dos vários jornais (Público, Observador, Expresso), é possível vislumbrar por parte dos seus responsáveis um forte apelo à compra e assinatura desses mesmos periódicos.
Se isto se passa junto daqueles que têm um grande suporte financeiro, imagine o leitor o que acontecerá com as pequenas empresas de comunicação social sediadas nestas ilhas, fechadas a tudo e a todos? O Governo Regional não pode ficar indiferente a esta difícil situação que todos nós atravessamos e que certamente se irá prolongar por vários meses.
Como sobreviverá a comunicação social regional se não tiver apoios governamentais? Há que criar, urgentemente, um conjunto de medidas extraordinárias de apoio aos jornais locais e regionais, visando a defesa do pluralismo da informação e, também, a manutenção dos postos de trabalhos.
A criação de um apoio complementar visando o pagamento dos custos afetos à impressão dos jornais ou a imposição da obrigatoriedade de assinatura dos jornais açorianos por parte de todas as entidades governamentais regionais, escolas, associações e outras instituições, serão alguns dos meios capazes de, no curto prazo, obviar ao desaparecimento de muitas das nossas publicações.
Termino alertando os nossos leitores para o facto de que, devido a este contínuo estado de emergência e quarentena, à entidade que nos imprime o jornal poderá não ser possível a sua impressão. Mas enquanto for cá estaremos. #FicaEmCasaFaial.

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