Opções

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Estive, há uns meses atrás, a assistir a uma interessante palestra proferida pelo então reitor da Universidade dos Açores sobre a primeira República e a sua relação com a autonomia. Enquanto me deleitava com as suas sábias palavras, “apesar de não ser um período em que seja especialista”, como fez questão de referir, dei por mim a imaginar-me naqueles conturbados períodos e a tentar tomar as melhores opções. Seria republicano, como Manuel de Arriaga e Teófilo Braga? Ou seria monárquico, dando sequência às opções autonomistas então recentemente tomadas? Olhando para o meu próprio passado familiar, naquele período, verifico que apenas tenho membros do lado republicano, o que me deixa sem muitas opções…

Voltando às palavras do Professor Doutor Avelino Menezes, reparei a certo ponto que ele disse “em termos académicos havia duas constrições naquele período: por um lado, a maioria dos candidatos que frequentava o ensino superior apenas o fazia para obter o título e os restantes também ficavam com cursos sem aplicabilidade, dado o distanciamento que os mesmos tinham em relação às necessidades ou ao mercado de trabalho.” Fiquei atordoado… Ele estava a falar da primeira República ou de hoje?! E continuou dando exemplos do que se passava naquele período: dívida pública, falta de reconhecimento ou autoridade internacional, falta de credibilidade da classe dirigente…

Com grande distância temporal, de facto, o que vivemos hoje plasma, com algum rigor, a situação na primeira República. Mais uma vez, estamos perante um cenário que nos pode levar por caminhos extremistas que, então, não soubemos evitar. Agora, para além das opções, temos o conhecimento. Com competência, dinamismo, tolerância e solidariedade teremos de saber gerir o tempo e as opções tendo especial cuidado porque é particularmente simples cair em aparentes soluções fáceis e populistas. Como dizia um poeta que muito aprecio sobre um seu personagem “ [Ele] Ficava de olho aberto / via as coisas de perto / que é uma maneira de melhor pensar / via o que estava mal / e como é natural / tentava sempre não se deixar enganar” (Sérgio Godinho in “Cuidado com as imitações”). Façamos o mesmo.

O novo Reitor da Universidade dos Açores, o Professor Doutor Jorge Medeiros tem enormes virtudes, mas, pelo que conheço dele, não terá a habilidade de nos fazer sonhar com tempos, História e estórias passadas. É uma enorme virtude, que muito admiro, esta capacidade do Professor Doutor Avelino Menezes enrolar os ouvintes em palavras ricas, coloridas expressões e frases propositadamente cheias de sentido e sequência. São pessoas assim que nos educam verdadeiramente. É certo que para ser Reitor não será condição essencial, mas, nestes dois mandatos de Avelino Menezes, soube muito bem.

Por me ter ensinado e por ter sido um bom Reitor da mais difícil universidade de Portugal, agradeço-lhe Professor Doutor Avelino Menezes. Que a vida lhe traga simpáticas venturas e que saibam reconhecer o seu valor, aproveitando-o para outras dignas e proveitosas empreitadas. Que as suas opções e as opções que lhe apresentarem sejam entusiasmantes para si e benéficas para todos.

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