O Botequim do Senhor Óscar
Um dia destes, falando com Maria Luiza Lemos, soube que o Botequim do Senhor Óscar, de que é proprietária, passou a funcionar como Café, agora em arrendamento.
Foi durante décadas, quiçá a partir de meados dos anos 20 do século findo, um Botequim “sui generis” sito no Areeiro, pitoresco lugar de veraneio para famílias citadinas.
A paragem da camioneta do Capelo era ocasião para desusado movimento especialmente à tarde.
Seria com certeza o mais frequentado de quantos havia em redor de ilha, sendo durante o dia constante a entrada e saída de clientes, em parte por ser posto de correio e depois telefone publico.
Um autêntico mini-super mercado do século 20, com três secções: dum lado – mercearias e fazendas; ao centro – bebidas, cigarros e diversos; do lado do Capelo – almoços, mais destinados a empregados de firmas citadinas, e à tarde-petiscos, sueca e cavaqueira, em que locais e veraneantes de distraiam em franco convívio.
Correndo o risco de alguns esquecer: recordo o ten. Simas, Rogério Gonçalves, Alberto Mesquita, doutores Humberto Santos e José de Freitas e por vezes o Padre Avelino e naturalmente o Senhor Óscar, conhecido em toda a Ilha.
Isto, sem f’alar nas originais banquetas ladeando as duas portas do inesquecível Botequim, raramente vazias, mesmo em dia de sol a escaldar.
Euro deputados dão exemplo
Dois têm sido os eurodeputados açorianos, eleitos nas listas nacionais do PS e PSD.
São eles agora: Serrão dos Santos e Sofia Ribeiro, respectivamente, sendo o primeiro assaz conhecido na Horta pois foi durante anos responsável pelo DOP.
Todavia, um caso que julgo raro, ou pelo menos pouco frequente: resolveram unir esforços a favor do povo que os escolheu, tanto mais que estão integrados no grupo da Agricultura do Parlamento Europeu, incluindo também a Pesca.
Aliás duas actividades que muito dizem aos açorianos.
E, na verdade, a Região bem precisa de bons e activos representantes que façam ouvir a sua voz em Estrasburgo.
A Tribuna das Ilhas
e a Semana do Mar
O Faial e a Horta sempre marcaram posição de relevo no contexto açoriano, independentemente da dimensão geográfica e da população.
Hoje a Horta tem jornal, diário e outro semanal, enquanto Angra só tem um diário, aliás dos melhores nos Açores, se bem que a igual nível estará o Tribuna das Ilhas.
E é nesta circunstância que está na baila neste tópico.
É que a uma apreciada e merecida cobertura da Semana do Mar, juntou-se uma mancheia de anúncios, alguns a cores que não terão deixado de ser uma ajuda na manutenção do semanário.
Como é sabido, mas nem sempre compreendido. A existência de dois jornais é assaz importante para a ilha sob diversos aspectos.
Mesmo assim, a imprensa faialense vai sobrevivendo apesar das dificuldades, mais económicas, quer pelo reduzido número de assinantes quer por falta de anunciantes, já que o comércio e a industria a tal nunca foram muito afeitos embora sempre presentes em iniciativas sociais.
E pelo Natal sempre correspondem às campanhas promovidas pelas respectivas administrações nesse sentido.
Por sinal, os anúncios, então publicados, dão uma boa ideia da minha ilha, naturalmente pela positiva, ou por outras palavras: afinal não está tão mal como a pintam…
Uma palavra de apreço não podemos deixar de ter para esse grupo que resolveu há anos dotar a Horta dum semanário a que deu o nome de Tribuna das Ilhas, independente e aberto a todos quantos adentro de espírito democrático quisessem (e queiram) contribuir para o desenvolvimento do Faial.
* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico











